Doenças do Amianto: Diagnóstico e Exposição Ocupacional

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Um homem de 59 anos comparece à unidade básica de saúde com queixas de dispneia aos esforços físicos e de tosse seca, os quais se desenvolveram gradualmente ao longo dos últimos anos. Ele relata sono e apetite normais, no entanto refere febre e perda de mais de 5% do peso corporal nos últimos 2 meses. Menciona que é divorciado e que está tendo dificuldades para encontrar emprego desde que o local onde trabalhava encerrou suas atividades. Paciente apresenta tomografia computadorizada de tórax com espessamento da pleura visceral e parietal, derrame pleural e formação de placas pleurais. Considerando o contexto clínico-epidemiológico desse caso, é correto afirmar que o paciente trabalhava na

Alternativas

  1. A) agricultura (com agrotóxico).
  2. B) construção civil (com amianto). 
  3. C) fabricação de solventes químicos (com benzeno). 
  4. D) extração do carvão (com poeira do carvão mineral).

Pérola Clínica

Espessamento pleural, derrame pleural e placas pleurais em trabalhador da construção civil → forte suspeita de doença relacionada ao amianto.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dispneia, tosse, febre, perda de peso, associado a achados tomográficos de espessamento pleural, derrame pleural e placas pleurais, é altamente sugestivo de doença relacionada ao amianto (asbestose ou mesotelioma). A exposição ocupacional ao amianto é comum na construção civil, tornando essa a alternativa mais provável.

Contexto Educacional

As doenças relacionadas ao amianto representam um grave problema de saúde pública e ocupacional, com um longo período de latência entre a exposição e o desenvolvimento das manifestações clínicas. O amianto, ou asbesto, é um mineral fibroso amplamente utilizado na construção civil e em diversas indústrias devido às suas propriedades de resistência ao calor e à tração. A inalação de suas fibras pode levar a uma série de patologias pulmonares e pleurais. A fisiopatologia envolve a deposição das fibras de amianto nos pulmões e na pleura, desencadeando uma resposta inflamatória crônica que pode resultar em fibrose (asbestose), formação de placas pleurais calcificadas, espessamento pleural difuso e, mais gravemente, mesotelioma pleural maligno e câncer de pulmão. O quadro clínico pode incluir dispneia progressiva, tosse seca, dor torácica, febre e perda de peso. O diagnóstico é baseado na história de exposição ocupacional, achados radiológicos (tomografia de tórax com placas pleurais, espessamento pleural, derrame pleural) e, em alguns casos, biópsia. O manejo das doenças relacionadas ao amianto é complexo e depende da patologia específica. Para asbestose, o tratamento é de suporte. Para mesotelioma, as opções incluem cirurgia, quimioterapia e radioterapia, mas o prognóstico é geralmente reservado. A prevenção primária, através do controle da exposição ao amianto, é a medida mais eficaz. É crucial que profissionais de saúde reconheçam o histórico ocupacional para um diagnóstico e manejo adequados.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais doenças causadas pela exposição ao amianto?

As principais doenças incluem asbestose (fibrose pulmonar), derrame pleural benigno por amianto, placas pleurais, espessamento pleural difuso e cânceres como mesotelioma pleural e câncer de pulmão.

Como o amianto causa lesões pulmonares e pleurais?

As fibras de amianto, uma vez inaladas, depositam-se nos pulmões e pleura, causando inflamação crônica, fibrose e mutações celulares que podem levar a doenças benignas e malignas ao longo de décadas.

Qual o período de latência para o desenvolvimento de doenças relacionadas ao amianto?

O período de latência é geralmente longo, variando de 10 a 20 anos para derrame pleural benigno e placas pleurais, e de 20 a 50 anos para asbestose, mesotelioma e câncer de pulmão.

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