SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022
Um homem de cinquenta anos de idade com índice de massa corporal de 32 kg/m², hipertenso, em uso de losartana foi ao consultório queixando-se de azia e regurgitação. Sua ultrassonografia de abdome aponta esteatose hepática e não existe colelitíase. A endoscopia mostra uma hérnia hiatal de pequenas proporções, por deslizamento, e esofagite erosiva leve. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para o paciente.
DRGE com esofagite leve e hérnia hiatal pequena → IBP, perda de peso e dieta como tratamento inicial.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) com esofagite erosiva leve e hérnia hiatal pequena, especialmente em paciente com sobrepeso/obesidade, tem como tratamento de primeira linha a terapia clínica. Esta inclui o uso de Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) e modificações significativas no estilo de vida, como perda de peso e ajustes dietéticos. Exames mais invasivos ou cirurgia são reservados para casos refratários ou com complicações.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica comum, caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas incômodos e/ou lesões. A esofagite erosiva é uma das manifestações da DRGE, indicando inflamação e lesão da mucosa esofágica. A hérnia hiatal por deslizamento, onde parte do estômago se desloca para o tórax através do hiato esofágico, é frequentemente associada à DRGE e pode contribuir para a incompetência do esfíncter esofágico inferior. O manejo inicial da DRGE, especialmente em casos de esofagite leve e hérnia hiatal pequena, é predominantemente clínico. Isso envolve o uso de Inibidores de Bomba de Prótons (IBP), que são altamente eficazes na redução da produção de ácido gástrico e na cicatrização da esofagite. Além da farmacoterapia, modificações no estilo de vida são cruciais, incluindo perda de peso em pacientes com sobrepeso ou obesidade (dado que o aumento da pressão intra-abdominal agrava o refluxo), elevação da cabeceira da cama e ajustes dietéticos para evitar alimentos que desencadeiam os sintomas. Exames como pHmetria e manometria esofágica são geralmente reservados para casos de DRGE refratária ao tratamento clínico, sintomas atípicos ou como parte da avaliação pré-operatória para cirurgia antirrefluxo. A cirurgia é uma opção para pacientes que não respondem ao tratamento clínico, que apresentam complicações ou que preferem evitar a terapia medicamentosa a longo prazo, mas não é a primeira linha de tratamento.
As principais recomendações incluem perda de peso em pacientes com sobrepeso ou obesidade, elevação da cabeceira da cama, evitar refeições volumosas antes de deitar, evitar alimentos que desencadeiam sintomas (café, chocolate, alimentos gordurosos, cítricos, picantes) e parar de fumar. Essas medidas complementam o tratamento medicamentoso.
A pHmetria esofágica é indicada para confirmar o diagnóstico de DRGE em pacientes com sintomas atípicos ou refratários ao tratamento com IBP, e para avaliar a eficácia do tratamento. A manometria esofágica é utilizada para avaliar a motilidade esofágica e a função do esfíncter esofágico inferior, sendo essencial antes de uma cirurgia antirrefluxo para excluir distúrbios de motilidade que contraindicariam o procedimento.
A cirurgia antirrefluxo é considerada para pacientes com DRGE que não respondem ao tratamento clínico otimizado, que apresentam complicações graves (como esôfago de Barrett com displasia de alto grau ou estenose refratária) ou que desejam evitar o uso contínuo de IBP. Em casos de hérnia hiatal grande ou com sintomas mecânicos, a correção cirúrgica pode ser mais indicada.
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