Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Um paciente de 62 anos, do sexo masculino, iniciou sintomas de queimação em região retroesternal, principalmente após as refeições associado a regurgitação e náuseas há aproximadamente 6 meses. Apresenta hipertensão arterial e diabetes, com bom controle em uso de Losartana e Metformina. Durante a consulta, conta também que perdeu 6 kg nos últimos 3 meses de forma imotivada. Seu médico solicitou alguns exames laboratoriais que demonstraram anemia ferropriva discreta, além da presença de sangue oculto nas fezes. Diante desse caso, é correto afirmar que o quadro clínico sugere
DRGE + sinais de alarme (perda peso, anemia, sangramento) → EDA urgente para excluir malignidade.
Pacientes com sintomas de DRGE que apresentam sinais de alarme como perda de peso inexplicada, anemia ferropriva, sangramento gastrointestinal, disfagia ou odinofagia, necessitam de investigação imediata com endoscopia digestiva alta para descartar condições graves, incluindo malignidade esofágica.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica caracterizada pelo refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas incômodos e/ou complicações. É uma das doenças gastrointestinais mais prevalentes, afetando uma parcela significativa da população adulta. Embora muitos casos de DRGE possam ser manejados com terapia empírica, é fundamental que médicos, especialmente residentes, saibam identificar os sinais de alarme que indicam a necessidade de investigação mais aprofundada. Os sinais de alarme na DRGE incluem perda de peso inexplicada, anemia ferropriva, sangramento gastrointestinal (manifestado por melena, hematêmese ou sangue oculto nas fezes), disfagia (dificuldade para engolir), odinofagia (dor ao engolir), vômitos persistentes e início recente de sintomas em pacientes com mais de 50 anos. A presença de qualquer um desses sinais sugere a possibilidade de complicações graves, como esofagite erosiva severa, estenose esofágica, esôfago de Barrett ou, mais preocupante, malignidade esofágica ou gástrica. Diante de um paciente com sintomas de DRGE e sinais de alarme, a conduta correta é a realização imediata de uma endoscopia digestiva alta (EDA). A EDA permite a visualização direta da mucosa esofágica, gástrica e duodenal, possibilitando a identificação de lesões, a realização de biópsias para diagnóstico histopatológico e a exclusão de condições malignas. O tratamento empírico com inibidores de bomba de prótons (IBP) sem investigação adequada em casos com sinais de alarme pode mascarar ou atrasar o diagnóstico de doenças graves, comprometendo o prognóstico do paciente.
Os sinais de alarme na DRGE incluem disfagia (dificuldade para engolir), odinofagia (dor ao engolir), perda de peso inexplicada, anemia ferropriva, sangramento gastrointestinal (hematêmese, melena, sangue oculto nas fezes) e início recente de sintomas em pacientes > 50 anos.
A endoscopia digestiva alta é crucial para investigar a causa dos sinais de alarme, descartar complicações da DRGE como esofagite grave, estenose ou esôfago de Barrett, e, principalmente, excluir malignidades como adenocarcinoma de esôfago.
A DRGE pode mimetizar condições como esofagite eosinofílica, úlcera péptica, acalasia e, mais criticamente, câncer de esôfago ou gástrico. A presença de sinais de alarme sempre justifica uma investigação aprofundada.
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