HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021
Antônia 47 anos, com diabetes e hipertensão arterial. Apresenta refluxo gastresofágico e foi submetida a endoscopia digestiva alta há 1 mês que revelou esofagite grau C de Los Angeles. Está em uso de omeprazol 40mg por dia há 6 meses, mas com persistência de pirose pós prandial, principalmente quando em decúbito horizontal. Exame clínico: bom estado geral, IMC: 36 kg/m2, abdome indolor à palpação, sem outras alterações. Qual é a melhor opção operatória para o tratamento do refluxo gastro-esofágico desta paciente?
RGE refratário + Obesidade mórbida (IMC >35) + Comorbidades → Bypass gástrico é a melhor opção cirúrgica.
Pacientes com doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) refratária ao tratamento clínico, especialmente aqueles com obesidade mórbida (IMC > 35 kg/m²) e comorbidades como diabetes e hipertensão, se beneficiam significativamente da cirurgia bariátrica, sendo o bypass gástrico a técnica de escolha por sua eficácia tanto na perda de peso quanto na resolução do refluxo.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum, mas quando refratária ao tratamento clínico otimizado com inibidores de bomba de prótons (IBP), como o omeprazol em dose plena por tempo prolongado, e associada a comorbidades e obesidade, a abordagem terapêutica deve ser reavaliada. A paciente do caso apresenta esofagite grau C de Los Angeles, indicando lesões significativas, e um IMC de 36 kg/m², caracterizando obesidade mórbida, além de diabetes e hipertensão. Nesse cenário, a obesidade é um fator de risco independente e agravante para a DRGE, aumentando a pressão intra-abdominal e comprometendo a barreira antirrefluxo. Embora a fundoplicatura (total ou parcial) seja uma opção para DRGE, sua eficácia a longo prazo é menor em pacientes obesos, e ela não aborda as comorbidades metabólicas. A gastrectomia vertical (sleeve) pode até piorar o refluxo em alguns casos. A gastroplastia com derivação em Y-de-Roux (Bypass Gástrico) é a melhor opção operatória para pacientes com DRGE refratária e obesidade mórbida, especialmente com comorbidades metabólicas. Este procedimento não só promove perda de peso significativa e melhora das comorbidades (diabetes, hipertensão), mas também é altamente eficaz na resolução da DRGE, criando um novo reservatório gástrico de baixo volume e desviando o fluxo biliar e pancreático do esôfago distal, reduzindo a exposição a agentes irritantes.
O bypass gástrico é eficaz porque promove perda de peso significativa, o que reduz a pressão intra-abdominal e melhora a função da barreira antirrefluxo. Além disso, desvia o fluxo biliar e pancreático do esôfago, diminuindo a exposição a substâncias irritantes, e tem alta taxa de resolução da DRGE.
A cirurgia bariátrica é considerada em pacientes com DRGE refratária ao tratamento clínico, especialmente aqueles com obesidade mórbida (IMC > 40 kg/m² ou > 35 kg/m² com comorbidades como diabetes e hipertensão), onde a obesidade é um fator contribuinte para o refluxo.
A esofagite grau C de Los Angeles indica lesões mucosas significativas (confluentes, mas não circunferências) no esôfago distal. Isso demonstra a gravidade da doença e a falha do tratamento clínico otimizado, reforçando a necessidade de considerar opções cirúrgicas, especialmente em pacientes com fatores de risco adicionais como a obesidade.
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