DRGE Refratária: Quando Indicar Endoscopia Digestiva?

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 40 anos de idade, sexo masculino, com história de disfagia e tosse não produtiva, predominantemente noturna, procurou atendimento em unidade básica de saúde. Referiu dor torácica, pirose retroesternal e dispepsia. Negou etilismo ou tabagismo. Havia iniciado tratamento empírico com omeprazol 20 mg, 2 vezes ao dia, por 8 semanas, mas obteve pouca melhora.Nesse caso, qual é a medida propedêutica subsequente adequada?

Alternativas

  1. A) Esofagomanometria.
  2. B) pHmetria esofágica de 24 horas.
  3. C) Endoscopia digestiva alta com biópsia.
  4. D) Esofagogastroduodenografia contrastada.

Pérola Clínica

DRGE refratária a IBP em dose plena por 8 semanas → Endoscopia digestiva alta com biópsia.

Resumo-Chave

A falha terapêutica com inibidores de bomba de prótons (IBP) em dose plena por 8 semanas, especialmente na presença de sintomas como disfagia e tosse noturna, exige investigação com endoscopia digestiva alta para excluir complicações ou diagnósticos diferenciais.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum caracterizada pelo refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou complicações. Os sintomas típicos incluem pirose e regurgitação, mas sintomas atípicos como disfagia, tosse crônica não produtiva (predominantemente noturna), dor torácica e dispepsia também são frequentes e podem dificultar o diagnóstico. O tratamento empírico com inibidores de bomba de prótons (IBP) é a abordagem inicial para muitos pacientes com DRGE. No entanto, a persistência dos sintomas após 8 semanas de tratamento com IBP em dose plena (como omeprazol 20 mg, 2 vezes ao dia) define a DRGE refratária. Nesses casos, a medida propedêutica subsequente adequada é a endoscopia digestiva alta com biópsia. A endoscopia permite avaliar diretamente a mucosa esofágica, identificar a presença e o grau de esofagite, estenoses, úlceras, ou condições mais graves como o Esôfago de Barrett ou neoplasias, que podem ser a causa dos sintomas refratários. A biópsia é crucial para o diagnóstico histopatológico, especialmente para esofagite eosinofílica ou metaplasia. Outros exames como esofagomanometria e pHmetria são úteis para casos de endoscopia normal e para avaliar distúrbios de motilidade ou refluxo não ácido, mas a endoscopia é a primeira linha na falha do IBP.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas de alarme na DRGE que indicam endoscopia?

Sintomas de alarme incluem disfagia, odinofagia, perda de peso inexplicada, anemia, sangramento gastrointestinal e vômitos persistentes, que requerem investigação endoscópica imediata.

O que é considerado falha terapêutica com IBP na DRGE?

Falha terapêutica é a persistência dos sintomas de refluxo após 8 semanas de tratamento com IBP em dose plena (uma ou duas vezes ao dia), o que justifica a investigação adicional.

Quais diagnósticos diferenciais devem ser considerados na DRGE refratária?

Diagnósticos diferenciais incluem esofagite eosinofílica, acalasia, gastroparesia, úlcera péptica, câncer esofágico ou gástrico, e dispepsia funcional, que podem mimetizar os sintomas de refluxo.

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