USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Mulher, 52 anos de idade, queixa-se de dor retroesternal diurna em queimação há 3 anos. Nega relação direta com alimentação e piora noturna dos sintomas. Realizou endoscopia com achado de hérnia hiatal de 2 cm e esofagite erosiva grau A de Los Angeles, além de pangastrite enantematosa leve e teste de urease positivo. Na época, fez tratamento de H. pylori, com alívio parcial, porém interrompeu a medicação. Há 1 ano, a dor passou a ser mais frequente e iniciou omeprazol 20 mg duas vezes ao dia. Teve melhora parcial da dor, mas mantendo sintoma. Mantém o uso de omeprazol na mesma dose. Repetiu endoscopia, que evidenciou hérnia hiatal de 2 cm e esofagite erosiva distal grau A de Los Angeles. Qual é a melhor conduta a ser tomada no momento?
DRGE refratária ao IBP duas vezes/dia → investigar com manometria e pH-metria para confirmar refluxo patológico.
Pacientes com sintomas persistentes de DRGE apesar do uso otimizado de IBP (duas vezes ao dia) são considerados refratários. Nesses casos, é fundamental investigar a real causa dos sintomas, que pode não ser refluxo ácido, através de exames como manometria e pH-metria com impedância.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum, caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou complicações. A prevalência é alta e representa um desafio diagnóstico e terapêutico, especialmente quando os sintomas persistem. É fundamental para residentes reconhecer os sinais de DRGE e saber quando a abordagem inicial falha. A fisiopatologia da DRGE envolve a disfunção da barreira antirrefluxo, como a hipotonia do esfíncter esofágico inferior ou a presença de hérnia hiatal, como no caso da paciente. O diagnóstico inicial é clínico, e a endoscopia digestiva alta é indicada para avaliar complicações ou em casos de sintomas de alarme. A esofagite erosiva grau A de Los Angeles indica uma forma leve de inflamação. Quando a DRGE é refratária ao tratamento otimizado com IBP (dose dupla por tempo adequado), a conduta deve ser reavaliada. A manometria esofágica avalia a motilidade e a função do esfíncter, enquanto a pH-metria com impedanciometria monitora episódios de refluxo ácido e não ácido, correlacionando-os com os sintomas. Esses exames são essenciais para guiar a decisão terapêutica, que pode variar desde ajuste medicamentoso até intervenção cirúrgica em casos selecionados.
A DRGE é considerada refratária quando os sintomas persistem ou recorrem apesar do uso de inibidores de bomba de prótons (IBP) em dose dupla (duas vezes ao dia) por pelo menos 8 a 12 semanas.
Esses exames são cruciais para confirmar a presença de refluxo patológico, avaliar a motilidade esofágica e diferenciar entre refluxo ácido, não ácido ou outras causas de sintomas, guiando a conduta terapêutica.
Condições como esofagite eosinofílica, distúrbios de motilidade esofágica (acalasia, espasmo esofágico), hipersensibilidade esofágica e pirose funcional podem apresentar sintomas semelhantes à DRGE refratária.
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