UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 57 anos, queixa-se de pirose e epigastralgia há 2 anos, nega disfagia e perda ponderal. Refere uso de omeprazol por mais de 6 meses sem melhora do quadro. AP: HAS e DM2 em tratamento. Exame físico: IMC de 29 kg/m². EDA (3 exames): gastrite enantematosa leve de antro gástrico.A hipótese e próximo exame para complementação diagnóstica são, respectivamente,
DRGE refratária a IBP + EDA normal → pHmetria esofágica para confirmar refluxo patológico.
A persistência de sintomas típicos de refluxo (pirose, epigastralgia) apesar do uso adequado de IBP por tempo prolongado, e com endoscopia normal, sugere DRGE refratária. Nesses casos, a pHmetria esofágica é o exame padrão-ouro para documentar a exposição ácida anormal do esôfago e guiar a conduta.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum, caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou complicações. Quando os sintomas típicos, como pirose e regurgitação, persistem apesar do tratamento otimizado com inibidores de bomba de prótons (IBP) em dose plena por 8 semanas ou dose dupla por 4 semanas, a DRGE é classificada como refratária. Essa condição afeta uma parcela significativa dos pacientes e exige uma investigação diagnóstica mais aprofundada para guiar a conduta terapêutica. A fisiopatologia da DRGE refratária pode envolver diversos fatores, incluindo adesão inadequada ao tratamento, refluxo não ácido, hipersensibilidade esofágica, distúrbios de motilidade esofágica, esofagite eosinofílica ou até mesmo diagnósticos alternativos. Após a exclusão de esofagite erosiva por endoscopia digestiva alta (EDA), o próximo passo diagnóstico é a pHmetria esofágica de 24 horas, idealmente associada à impedanciometria. Este exame permite quantificar a exposição ácida esofágica e identificar refluxos não ácidos, sendo fundamental para confirmar o diagnóstico de refluxo patológico. A manometria esofágica, por sua vez, é indicada para avaliar a motilidade esofágica e descartar distúrbios primários, como acalasia, que podem mimetizar sintomas de refluxo ou contraindicar cirurgia. O tratamento da DRGE refratária depende da causa subjacente identificada. Se a pHmetria confirmar refluxo patológico, podem ser consideradas otimização do IBP, adição de procinéticos ou moduladores de dor visceral, ou mesmo cirurgia antirrefluxo em casos selecionados. Se o refluxo não for patológico, outras condições como esofagite eosinofílica, distúrbios funcionais ou hipersensibilidade esofágica devem ser investigadas e tratadas especificamente. É crucial uma abordagem individualizada, considerando os achados dos exames complementares e a resposta clínica do paciente.
A DRGE é considerada refratária quando os sintomas persistem ou recorrem apesar do uso de IBP em dose plena por pelo menos 8 semanas, ou em dose dupla por 4 semanas.
A pHmetria esofágica é crucial para confirmar a presença de refluxo ácido patológico em pacientes com DRGE refratária e endoscopia normal, diferenciando-o de outras causas de sintomas.
A manometria esofágica é indicada para avaliar a motilidade esofágica, principalmente antes de cirurgias antirrefluxo, para descartar distúrbios como acalasia ou esôfago ineficaz, e não para diagnosticar o refluxo em si.
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