SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2025
O refluxo gastroesofágico consiste na passagem (retorno) do conteúdo gástrico para o esôfago, com ou sem regurgitação e/ou vômito. Pode ser considerado um evento fisiológico em lactentes, entretanto, quando causa sintomas ou complicações que alteram a qualidade de vida do bebê, podemos estar diante da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Assinale a alternativa CORRETA:
Lactente com ganho de peso + sem sinais de alerta = Refluxo Fisiológico → Sem medicação.
O refluxo fisiológico ("vomitador feliz") é comum em lactentes e não exige farmacoterapia, ao contrário da DRGE, que apresenta complicações ou baixo ganho ponderal.
A distinção entre o refluxo gastroesofágico (RGE) fisiológico e a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é um dos desafios mais comuns na pediatria. O RGE fisiológico atinge até 50% dos lactentes nos primeiros meses de vida, resolvendo-se espontaneamente na maioria dos casos até os 12-18 meses. O tratamento baseia-se em orientações antecipatórias, como fracionamento das mamadas e manutenção da postura ereta após a alimentação. A DRGE, por outro lado, exige uma abordagem diagnóstica e terapêutica mais ativa. O uso de inibidores de bomba de prótons (IBP) deve ser criterioso, reservado para casos com evidência de esofagite ou complicações respiratórias graves. O diagnóstico é eminentemente clínico, mas exames como pH-metria ou impedanciometria podem ser necessários em casos atípicos ou refratários ao tratamento inicial.
O refluxo gastroesofágico fisiológico, conhecido como "vomitador feliz", é extremamente comum em lactentes devido à imaturidade do esfíncter esofágico inferior. Clinicamente, a criança apresenta regurgitações frequentes, mas mantém excelente ganho ponderal, desenvolvimento neuropsicomotor adequado e não demonstra sinais de dor ou irritabilidade excessiva durante ou após as mamadas. Já a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é caracterizada quando esse retorno do conteúdo gástrico causa complicações. Os sinais de alerta incluem baixo ganho de peso (falha de crescimento), esofagite (manifestada por irritabilidade, recusa alimentar ou hematêmese), sintomas respiratórios recorrentes (como sibilância ou pneumonias de repetição) e posturas anormais (Síndrome de Sandifer). Enquanto o refluxo fisiológico requer apenas medidas posturais e dietéticas, a DRGE pode necessitar de intervenção farmacológica com inibidores de bomba de prótons ou procinéticos em casos selecionados para evitar sequelas a longo prazo.
As manifestações extra-esofágicas da DRGE em pediatria são variadas e podem mimetizar outras condições. Elas incluem sintomas respiratórios como tosse crônica, sibilância recorrente (asma induzida por refluxo), estridor, laringite crônica, rouquidão e pneumonias de aspiração. Em lactentes, episódios de BRUE (Brief Resolved Unexplained Event), anteriormente chamados de ALTE, podem estar associados ao refluxo. Além disso, a erosão do esmalte dentário é uma manifestação importante em crianças maiores. É fundamental notar que a presença desses sintomas isolados nem sempre confirma a DRGE, sendo necessária uma avaliação clínica criteriosa para excluir outras etiologias respiratórias ou otorrinolaringológicas antes de atribuir a causa exclusivamente ao refluxo gastroesofágico.
O tratamento farmacológico, geralmente com inibidores de bomba de prótons (IBP) como omeprazol ou esomeprazol, está indicado quando há evidência clínica ou endoscópica de esofagite erosiva, falha no ganho de peso apesar de medidas dietéticas otimizadas, ou sintomas respiratórios graves claramente associados ao refluxo. Em lactentes, o uso de IBP deve ser cauteloso e por tempo limitado, pois o uso prolongado está associado a um maior risco de infecções respiratórias e gastrointestinais (como diarreia por C. difficile). Antagonistas dos receptores H2 podem ser usados, mas apresentam taquifilaxia rápida. Procinéticos como a domperidona têm evidência limitada e riscos de efeitos colaterais, devendo ser reservados para casos específicos de dismotilidade comprovada.
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