UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Menina, 5m, apresenta episódios de regurgitação desde o nascimento, ocorrendo após cada mamada. Não foi amamentada ao seio materno e desperta duas vezes durante a noite para ser alimentada, além de apresentar episódios de choro vespertino. Em relação ao diagnóstico diferencial entre regurgitação fisiológica em lactentes e a doença do refluxo gastroesofágico nessa faixa etária, pode-se afirmar:
Regurgitação fisiológica (golfada) → lactente feliz, ganho de peso normal, sem sinais de alarme.
O diagnóstico diferencial entre refluxo fisiológico e patológico (DRGE) é clínico; o tipo de leite (materno ou fórmula) não altera os critérios diagnósticos.
A regurgitação é um fenômeno extremamente comum no primeiro ano de vida, atingindo o pico por volta dos 4 meses e tendendo a desaparecer até os 12-15 meses com a maturação do esfíncter esofágico inferior e a adoção da postura ereta. A maioria dos casos é classificada como 'regurgitador feliz', onde não há necessidade de exames complementares ou intervenção medicamentosa. A distinção entre o fisiológico e o patológico é essencial para evitar a prescrição desnecessária de inibidores de bomba de prótons (IBPs) em lactentes. O manejo inicial do refluxo fisiológico envolve orientações posturais, fracionamento das mamadas e tranquilização familiar, reservando investigações para casos com falha no crescimento ou sintomas extradigestivos graves.
Segundo os Critérios de Roma IV, a regurgitação infantil (fisiológica) é definida em lactentes saudáveis de 3 semanas a 12 meses de idade que apresentam regurgitação de duas ou mais vezes ao dia por pelo menos 3 semanas, na ausência de náuseas, hematêmese, aspiração pulmonar, apneia, déficit de crescimento, dificuldades alimentares ou posturas anormais (como a síndrome de Sandifer).
O refluxo torna-se Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) quando as regurgitações causam complicações ou sintomas problemáticos. Isso inclui baixo ganho ponderal, esofagite (irritabilidade, recusa alimentar, hematêmese), sintomas respiratórios crônicos (tosse, sibilância recorrente) ou posturas anormais. A presença de 'sinais de alerta' direciona a investigação para patologias secundárias.
Não. Embora o leite materno seja digerido mais rapidamente e possa reduzir a frequência de episódios em comparação com algumas fórmulas, a presença de refluxo fisiológico ou DRGE independe do tipo de leite. O diagnóstico diferencial foca na repercussão clínica e no desenvolvimento da criança, e não na dieta específica, embora a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) seja um diagnóstico diferencial importante.
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