DRGE em Lactentes: Abordagem Diagnóstica e Terapêutica

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015

Enunciado

Em relação à abordagem diagnóstica na doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) A pHmetria esofágica de 24 horas é o exame de escolha para crianças com suspeita clínica de esofagite péptica.
  2. B) O tratamento empírico farmacológico em lactentes com suspeita de DR GE não é recomendado, uma vez que a relação entre risco e benefício do uso de inibidores de ácido nesta faixa etária não é favorável.
  3. C) A ultrassonografia de abdome é um método adequado para investigação da DR GE em crianças, uma vez que evita a exposição à radiação e não requer sedação.
  4. D) A domperidona e bromoprida apresentam perfil farmacológico similar com alta eficácia e baixo potencial de efeitos colaterais para serem utilizados com segurança em lactentes.
  5. E) A manometria esofágica é o teste que melhor avalia a indicação de cirurgia para tratamento da DRGE em crianças.

Pérola Clínica

DRGE em lactentes: tratamento empírico com IBP não é rotineiramente recomendado devido a risco/benefício desfavorável.

Resumo-Chave

Em lactentes com suspeita de DRGE, o tratamento empírico com inibidores de bomba de prótons (IBP) não é a primeira linha de conduta. A maioria dos casos é fisiológica e se resolve espontaneamente, e o uso de IBP pode ter efeitos adversos sem benefício claro.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) em lactentes é uma condição comum, mas na maioria das vezes benigna e autolimitada, conhecida como regurgitação fisiológica. A distinção entre refluxo fisiológico e DRGE patológica é crucial, pois esta última pode levar a complicações como esofagite, baixo ganho ponderal e problemas respiratórios. A epidemiologia mostra que a regurgitação é frequente nos primeiros meses de vida, atingindo um pico por volta dos 4-6 meses e diminuindo significativamente após 1 ano. O diagnóstico da DRGE em lactentes é primariamente clínico, baseado na história e exame físico. Exames complementares como pHmetria esofágica de 24 horas, impedanciometria e endoscopia digestiva alta são reservados para casos com sintomas atípicos, graves, refratários ao tratamento conservador ou para descartar outras condições. A ultrassonografia de abdome tem papel limitado na investigação da DRGE, sendo mais útil para avaliar outras causas de vômitos. A manometria esofágica é utilizada principalmente para avaliar a função motora esofágica antes de uma intervenção cirúrgica. O tratamento da DRGE em lactentes inicia-se com medidas comportamentais e dietéticas, como fracionamento das refeições, espessamento do leite e posicionamento pós-prandial. O tratamento farmacológico, especialmente com inibidores de bomba de prótons (IBP), deve ser usado com cautela e apenas em casos selecionados de DRGE patológica comprovada, devido à preocupação com a relação risco-benefício e potenciais efeitos adversos, como aumento do risco de infecções. Procinéticos como domperidona e bromoprida não são recomendados rotineiramente devido a preocupações com efeitos colaterais cardíacos e neurológicos.

Perguntas Frequentes

Quando suspeitar de DRGE patológica em lactentes?

Suspeitar em lactentes com sintomas atípicos ou graves, como baixo ganho ponderal, irritabilidade extrema, recusa alimentar persistente, apneia ou esofagite, que não melhoram com medidas conservadoras.

Qual o papel da pHmetria esofágica na DRGE pediátrica?

A pHmetria é útil para confirmar DRGE patológica em casos selecionados, especialmente antes de cirurgia ou quando o tratamento empírico falha, mas não é exame de escolha para esofagite péptica, que requer endoscopia.

Por que o tratamento empírico com IBP não é recomendado para todos os lactentes com DRGE?

O tratamento empírico com IBP não é recomendado devido à alta taxa de resolução espontânea da regurgitação fisiológica e aos potenciais efeitos adversos dos IBP, como aumento do risco de infecções respiratórias e gastrointestinais.

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