PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015
Em relação à abordagem diagnóstica na doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), pode-se afirmar que:
DRGE em lactentes: tratamento empírico com IBP não é rotineiramente recomendado devido a risco/benefício desfavorável.
Em lactentes com suspeita de DRGE, o tratamento empírico com inibidores de bomba de prótons (IBP) não é a primeira linha de conduta. A maioria dos casos é fisiológica e se resolve espontaneamente, e o uso de IBP pode ter efeitos adversos sem benefício claro.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) em lactentes é uma condição comum, mas na maioria das vezes benigna e autolimitada, conhecida como regurgitação fisiológica. A distinção entre refluxo fisiológico e DRGE patológica é crucial, pois esta última pode levar a complicações como esofagite, baixo ganho ponderal e problemas respiratórios. A epidemiologia mostra que a regurgitação é frequente nos primeiros meses de vida, atingindo um pico por volta dos 4-6 meses e diminuindo significativamente após 1 ano. O diagnóstico da DRGE em lactentes é primariamente clínico, baseado na história e exame físico. Exames complementares como pHmetria esofágica de 24 horas, impedanciometria e endoscopia digestiva alta são reservados para casos com sintomas atípicos, graves, refratários ao tratamento conservador ou para descartar outras condições. A ultrassonografia de abdome tem papel limitado na investigação da DRGE, sendo mais útil para avaliar outras causas de vômitos. A manometria esofágica é utilizada principalmente para avaliar a função motora esofágica antes de uma intervenção cirúrgica. O tratamento da DRGE em lactentes inicia-se com medidas comportamentais e dietéticas, como fracionamento das refeições, espessamento do leite e posicionamento pós-prandial. O tratamento farmacológico, especialmente com inibidores de bomba de prótons (IBP), deve ser usado com cautela e apenas em casos selecionados de DRGE patológica comprovada, devido à preocupação com a relação risco-benefício e potenciais efeitos adversos, como aumento do risco de infecções. Procinéticos como domperidona e bromoprida não são recomendados rotineiramente devido a preocupações com efeitos colaterais cardíacos e neurológicos.
Suspeitar em lactentes com sintomas atípicos ou graves, como baixo ganho ponderal, irritabilidade extrema, recusa alimentar persistente, apneia ou esofagite, que não melhoram com medidas conservadoras.
A pHmetria é útil para confirmar DRGE patológica em casos selecionados, especialmente antes de cirurgia ou quando o tratamento empírico falha, mas não é exame de escolha para esofagite péptica, que requer endoscopia.
O tratamento empírico com IBP não é recomendado devido à alta taxa de resolução espontânea da regurgitação fisiológica e aos potenciais efeitos adversos dos IBP, como aumento do risco de infecções respiratórias e gastrointestinais.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo