Refluxo em Lactentes: Quando Tranquilizar e o que Fazer?

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022

Enunciado

Clara e Lucas trazem seu filho João, o primeiro do casal, de 5 meses de idade, para atendimento no centro de saúde. Eles contam que estavam muito preocupados, porque, há três semanas, ele "só chorava" vinha se apresentando mais irritado, estava mamando menos, então levaram em gastropediatra de clínica popular, que diagnosticou doença do refluxo, prescreveu formulação infantil de omeprazol e solicitou endoscopia. Os pais relatam não terem condições financeiras no momento de comprar omeprazol em suspensão e de realizar endoscopia particular. Criança apresenta exame físico normal, com ganho de peso de 18g/dia no período referido (no mês anterior, tinha apresentado ganho de 25g/dia), mantendo crescimento e ganho de peso dentro do z score 0. Lucas conta que ficou duas semanas desempregado, mas que conseguiu um novo emprego na última semana. Clara acha que depois que começou a deixar João em cabeceira elevada por recomendação do gastropediatra, ele está menos irritado, mas continua tendo bastante refluxo. Assinale a melhor conduta para o caso:

Alternativas

  1. A) Encaminhar para avaliação de pediatra da rede devido a presença de sinais de alarme (criança com choro excessivo, irritabilidade e diminuição do ganho de peso).
  2. B) Como criança já teve avaliação inicial pelo gastropediatra, transcrever pedido de exame para guia do SUS, explicar que não há omeprazol líquido na rede, reforçar medidas não farmacológicas e encaminhar para pediatra da rede.
  3. C) Tranquilizar os pais quanto à ausência de sinais de alarme que requeiram intervenção no momento, reforçar importância de medidas não farmacológicas e marcar retorno breve para avaliação do ganho de peso e suporte aos pais.
  4. D) Como não há omeprazol líquido na rede pública, prescrever ranitidina xarope e encaminhar para avaliação pediátrica para segunda opinião quanto a necessidade de endoscopia, por se tratar de exame invasivo.

Pérola Clínica

Lactente com refluxo, bom ganho de peso e exame físico normal → tranquilizar pais, reforçar medidas não farmacológicas. Sinais de alarme ausentes.

Resumo-Chave

Em lactentes com refluxo gastroesofágico, a presença de bom ganho de peso e exame físico normal, mesmo com sintomas como irritabilidade e choro, sugere refluxo fisiológico ou doença do refluxo sem complicações. A conduta inicial deve focar em medidas não farmacológicas e suporte aos pais, evitando medicalização e exames invasivos desnecessários na ausência de sinais de alarme.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum em lactentes, mas é fundamental diferenciar o refluxo fisiológico, que é benigno e autolimitado, da DRGE patológica. O refluxo fisiológico é caracterizado pela regurgitação de conteúdo gástrico sem sinais de alarme ou comprometimento do desenvolvimento. A irritabilidade e o choro são sintomas inespecíficos que podem ter diversas causas, incluindo fatores sociais e emocionais, como o estresse parental. O diagnóstico de DRGE patológica requer a presença de sintomas que afetam a qualidade de vida do lactente ou que causam complicações, como esofagite, baixo ganho ponderal, anemia, ou problemas respiratórios. No caso de João, apesar da irritabilidade e da percepção de "mamando menos", o ganho de peso de 18g/dia e a manutenção do crescimento dentro do z-score 0 indicam um desenvolvimento adequado. A diminuição do ganho de peso de 25g/dia para 18g/dia, embora uma redução, ainda está dentro de uma faixa aceitável para um lactente de 5 meses e não configura um sinal de alarme isoladamente. A conduta para o refluxo fisiológico ou DRGE não complicada é primariamente não farmacológica, com foco na educação dos pais e suporte. Medidas como fracionamento das refeições, posicionamento adequado (cabeceira elevada) e, se necessário, espessamento do leite, são eficazes. O uso de inibidores de bomba de prótons (IBP) como o omeprazol e a realização de endoscopia são reservados para casos com sinais de alarme claros ou falha das medidas conservadoras, devido aos potenciais efeitos adversos e ao caráter invasivo dos procedimentos. Tranquilizar os pais e monitorar o desenvolvimento da criança são passos cruciais na atenção primária.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme que indicam uma DRGE complicada em lactentes?

Sinais de alarme incluem baixo ganho de peso ou perda de peso, vômitos biliosos ou com sangue (hematêmese), disfagia, recusa alimentar persistente, apneia, cianose, sibilância recorrente ou anemia. A presença de qualquer um desses sinais exige investigação mais aprofundada.

Quais são as medidas não farmacológicas para o refluxo em lactentes?

As medidas não farmacológicas incluem fracionamento das refeições, espessamento do leite (se indicado e sob orientação), posicionamento elevado após as mamadas (cabeceira elevada do berço), e evitar superalimentação. A elevação da cabeceira do berço é uma medida simples e eficaz.

Quando a endoscopia digestiva alta é indicada para lactentes com refluxo?

A endoscopia digestiva alta é um exame invasivo e raramente indicada para o refluxo fisiológico ou DRGE não complicada. Sua indicação é reservada para casos com sinais de alarme persistentes, suspeita de esofagite grave, estenose esofágica, ou para biópsias em casos de suspeita de outras patologias.

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