Refluxo Gastroesofágico em Lactentes: APLV e Manejo Dietético

UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 4 meses de vida, em aleitamento materno exclusivo, tem história de regurgitações pós-alimentares, com choro e irritabilidade. A mãe refere que o filho apresentou alguns episódios de arqueamento do tronco. O pediatra verificou desaceleração do ganho ponderal. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Uma endoscopia digestiva normal afastaria a doença do refluxo gastroesofágico.
  2. B) Indica-se a exclusão dietética da proteína do leite de vaca para a mãe, por pelo menos duas semanas.
  3. C) Deve ser iniciado o tratamento com inibidor de bomba de próton.
  4. D) A phmetria está indicada por diagnosticar até os refluxos não ácidos.
  5. E) O leite de soja é uma opção terapêutica.

Pérola Clínica

Lactente amamentado com DRGE + baixo ganho ponderal/sintomas atípicos → Prova terapêutica: exclusão PLV materna.

Resumo-Chave

Em lactentes em aleitamento materno exclusivo com sintomas sugestivos de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e sinais de alerta como desaceleração do ganho ponderal ou irritabilidade intensa, deve-se considerar a possibilidade de alergia à proteína do leite de vaca (APLV). A conduta inicial é a exclusão dietética da proteína do leite de vaca da dieta materna por 2-4 semanas.

Contexto Educacional

A regurgitação é um fenômeno comum em lactentes, geralmente fisiológico e autolimitado. No entanto, quando acompanhada de sintomas como choro excessivo, irritabilidade, recusa alimentar, arqueamento do tronco (sugestivo de esofagite) e, principalmente, desaceleração do ganho ponderal, configura a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), que exige investigação e manejo. Em lactentes em aleitamento materno exclusivo, a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é um importante diagnóstico diferencial para sintomas de DRGE. As proteínas do leite de vaca ingeridas pela mãe podem passar para o leite materno e desencadear uma reação alérgica no bebê. Nesses casos, a exclusão dietética da proteína do leite de vaca da dieta materna por um período de 2 a 4 semanas é a primeira linha de tratamento e serve como prova diagnóstica. O manejo da DRGE em lactentes deve ser escalonado, começando com medidas posturais e dietéticas. A introdução de inibidores de bomba de prótons (IBP) deve ser cautelosa e reservada para casos específicos, após falha das medidas iniciais e exclusão de outras causas, devido aos potenciais efeitos adversos. O acompanhamento do ganho ponderal e a melhora dos sintomas são cruciais para avaliar a eficácia do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais sintomas sugerem que o refluxo gastroesofágico em um lactente pode ser mais do que fisiológico?

Sinais de alerta incluem desaceleração do ganho ponderal, recusa alimentar, choro excessivo, irritabilidade, arqueamento do tronco (Síndrome de Sandifer), hematêmese, anemia e sintomas respiratórios crônicos.

Por que a exclusão da proteína do leite de vaca da dieta materna é uma conduta inicial importante?

Em lactentes amamentados com sintomas de DRGE e sinais de alerta, a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é um diagnóstico diferencial comum. A exclusão dietética materna por 2-4 semanas serve como uma prova terapêutica para verificar a melhora dos sintomas.

Quais são as limitações da endoscopia e pHmetria no diagnóstico da DRGE em lactentes?

A endoscopia é invasiva e não é o exame de primeira linha, sendo reservada para casos refratários ou com complicações. A pHmetria detecta apenas refluxos ácidos e não é útil para refluxos não ácidos ou para diagnosticar APLV.

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