HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2020
Lactente com 3 meses de idade, iniciou quadro de regurgitações com 4 semanas de vida. Apresenta 3 a 4 episódios por dia, com volume variável. Há 1 mês houve aumento no número de episódios diários associados a baixo ganho pôndero-estatural. Qual das alternativas contêm dados sugestivos de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)?
Baixo ganho pôndero-estatural em lactente com regurgitações → Sugere DRGE patológica.
Regurgitações são comuns em lactentes (refluxo fisiológico), mas o baixo ganho pôndero-estatural é um sinal de alarme que diferencia a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) patológica do refluxo gastroesofágico fisiológico, indicando necessidade de investigação e intervenção.
O refluxo gastroesofágico (RGE) é um fenômeno fisiológico comum em lactentes, caracterizado pela passagem do conteúdo gástrico para o esôfago, manifestando-se como regurgitações. Na maioria dos casos, é benigno e autolimitado, resolvendo-se espontaneamente até os 12-18 meses de idade. No entanto, quando o RGE causa sintomas incômodos ou complicações, ele é classificado como Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE). A distinção entre RGE fisiológico e DRGE é crucial. O caso clínico descreve um lactente com regurgitações desde as 4 semanas de vida, mas com um agravamento recente e, mais importante, associado a baixo ganho pôndero-estatural. Este último é um sinal de alarme significativo que sugere que o refluxo não é apenas fisiológico, mas está causando um impacto negativo na saúde e no desenvolvimento da criança. Outros sinais de alarme incluem irritabilidade, recusa alimentar, hematêmese, anemia e sintomas respiratórios crônicos. O baixo ganho pôndero-estatural indica que a perda de nutrientes devido às regurgitações é substancial ou que há uma esofagite grave que impede a alimentação adequada. Nesses casos, a investigação e o tratamento da DRGE são imperativos para garantir o crescimento e desenvolvimento adequados do lactente. As outras alternativas (início antes de 2 meses, número de episódios, aumento na frequência) podem ocorrer no RGE fisiológico e não são, por si sós, indicativos de DRGE patológica sem a presença de sinais de alarme.
Sinais de alarme incluem baixo ganho pôndero-estatural, irritabilidade excessiva, recusa alimentar, choro inconsolável, hematêmese, anemia, sintomas respiratórios crônicos (tosse, sibilância) e apneia.
O baixo ganho pôndero-estatural é um indicador chave de que o refluxo está causando perda calórica significativa ou esofagite, afetando o desenvolvimento da criança e exigindo intervenção médica.
O manejo inicial inclui medidas posturais (elevação da cabeceira do berço), espessamento da dieta, fracionamento das refeições e, se necessário, uso de medicamentos como inibidores de bomba de prótons ou antiácidos, sempre sob orientação médica.
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