DRGE: Indicações para Tratamento Cirúrgico e Falha do IBP

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022

Enunciado

Sobre as doenças do esôfago, assinale a alternativa ERRADA

Alternativas

  1. A) Rouquidão, tosse crônica e pneumonia, em conjunto ou isoladamente, podem ser os únicos achados decorrentes de DRGE.
  2. B) Frequentemente encontramos a associação entre hérnia hiatal e DRGE;
  3. C) A acalásia do esôfago pode ser causada pela Tripanossomíase. É uma causa frequente de disfagia e a imagem em “bico de pássaro” no esofagograma é um achado que contribui para o diagnóstico;
  4. D) A DRGE pode gerar o esôfago de Barrett, condição na qual o epitélio escamoso do esôfago distal é substituído pelo epitélio colunar
  5. E) Os melhores candidatos para optarem por tratamento cirúrgico da DRGE são aqueles com lesões esofágicas graves, pacientes jovens dependentes de medicação e aqueles que não responderam ao inibidor de bomba de prótons no alívio dos seus sintomas;

Pérola Clínica

DRGE cirúrgica: falha IBP, dependência IBP em jovens, lesões graves. Falha IBP não é critério isolado se sintomas atípicos ou não relacionados ao refluxo.

Resumo-Chave

A alternativa E está incorreta porque pacientes que não respondem ao IBP no alívio dos sintomas, especialmente se forem sintomas atípicos ou não relacionados diretamente ao refluxo ácido (como rouquidão ou tosse crônica), podem não ser bons candidatos à cirurgia, pois a falha do IBP pode indicar que os sintomas não são primariamente causados pelo refluxo. A cirurgia é mais eficaz para sintomas típicos que respondem ao IBP, mas que o paciente deseja evitar a medicação contínua.

Contexto Educacional

As doenças do esôfago abrangem um espectro de condições que afetam a deglutição e a digestão, sendo a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) uma das mais prevalentes. A DRGE pode manifestar-se com sintomas típicos (pirose, regurgitação) ou atípicos, como rouquidão, tosse crônica e pneumonias de repetição, que resultam da irritação das vias aéreas por refluxo. A associação com hérnia hiatal é frequente, pois esta pode comprometer a barreira antirrefluxo. Outra condição importante é a acalásia, um distúrbio motor esofágico caracterizado pela ausência de relaxamento do esfíncter esofágico inferior e aperistalse do corpo esofágico. A forma secundária mais comum no Brasil é o megaesôfago chagásico, decorrente da destruição neuronal pelo Trypanosoma cruzi. O esofagograma com imagem em "bico de pássaro" é um achado clássico que auxilia no diagnóstico. A DRGE crônica e não tratada pode levar ao Esôfago de Barrett, uma metaplasia colunar do epitélio escamoso distal, que é uma condição pré-maligna para adenocarcinoma esofágico. Em relação ao tratamento cirúrgico da DRGE, a fundoplicatura é uma opção para pacientes selecionados. Os melhores candidatos são aqueles com sintomas típicos que respondem bem ao IBP, mas que desejam evitar a medicação a longo prazo, pacientes jovens, e aqueles com complicações como esofagite grave ou hérnia hiatal volumosa. Pacientes que não respondem ao IBP podem não ser bons candidatos se a falha indicar que os sintomas não são primariamente relacionados ao refluxo ácido, ou se houver outras causas para os sintomas, como hipersensibilidade esofágica ou refluxo não ácido.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas atípicos da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)?

Sintomas atípicos da DRGE incluem rouquidão, tosse crônica, asma, dor torácica não cardíaca, erosões dentárias e pneumonia de repetição, que podem ocorrer isoladamente ou em conjunto com os sintomas clássicos.

Quando o tratamento cirúrgico da DRGE é considerado?

O tratamento cirúrgico (fundoplicatura) é considerado para pacientes com DRGE que apresentam resposta parcial ou dependência de IBP, lesões esofágicas graves (esofagite, estenose), hérnia hiatal grande, ou que desejam evitar a medicação contínua, especialmente em jovens.

Qual a relação entre a acalásia e a Tripanossomíase?

A acalásia secundária, ou megaesôfago chagásico, é uma complicação da doença de Chagas (Tripanossomíase americana), causada pela destruição dos neurônios do plexo mioentérico do esôfago pelo parasita Trypanosoma cruzi.

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