Manejo da DRGE Grave: Esofagite Grau C e Conduta Terapêutica

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 29 anos, refere pirose retrosternal, regurgitação e sialorreia. Apresenta estes sintomas há anos. Não tem irradiação para a região lombar. Tem eructação frequente. O exame físico é normal. Mantem o uso de inibidor da bomba de prótons de forma irregular. A pHmetria de 24h realizada há 12 meses tem um índice de DeMeester de 15 (exposição ácida anormal). A endoscopia digestiva alta revela uma esofagite erosiva grau C de Los Angeles, pangastrite erosiva, duodenite e teste da urease positivo. Qual deve ser a conduta a ser efetivada?

Alternativas

  1. A) Há indicação de fundoplicatura videolaparoscópica.
  2. B) Complementar a investigação com esofagometria e Rx contrastado.
  3. C) Repetir a pHmetria e a endoscopia digestiva alta.
  4. D) O tratamento deve ser eminentemente clínico com controle endoscópico anual.
  5. E) Deve-se prescrever inibidor de bomba de prótons em dose plena, reavaliar o tratamento clínico e considerar a cirurgia antirrefluxo.

Pérola Clínica

Esofagite Los Angeles C/D ou DeMeester >14.72 → DRGE confirmada; otimizar IBP e tratar H. pylori.

Resumo-Chave

Pacientes com esofagite grave (Grau C) e sintomas persistentes requerem otimização do tratamento clínico com IBP em dose plena e erradicação do H. pylori antes de considerar cirurgia.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica decorrente do fluxo retrógrado de conteúdo gastroduodenal para o esôfago. O diagnóstico é clínico, mas exames complementares como a endoscopia digestiva alta (EDA) e a pHmetria de 24 horas são fundamentais para classificar a gravidade e confirmar a exposição ácida patológica. No caso apresentado, o índice de DeMeester de 15 (normal < 14,72) e a esofagite Grau C confirmam o diagnóstico de DRGE erosiva grave. A conduta inicial para uma paciente jovem com uso irregular de IBP e esofagite grave deve ser a otimização do tratamento clínico. Isso inclui a prescrição de IBP em dose plena (ex: Omeprazol 40mg/dia ou 20mg 2x/dia) por 8 a 12 semanas, orientações comportamentais e a erradicação do H. pylori (teste da urease positivo). A reavaliação endoscópica é necessária para garantir a cicatrização da mucosa e excluir Barrett. A cirurgia antirrefluxo deve ser considerada caso a paciente deseje interromper o uso crônico de medicação ou se houver persistência dos sintomas apesar do tratamento otimizado.

Perguntas Frequentes

O que define a Esofagite Grau C de Los Angeles?

A classificação de Los Angeles categoriza a gravidade da esofagite erosiva por endoscopia. O Grau C é definido pela presença de uma ou mais erosões mucosas que se estendem entre os topos de duas ou mais pregas mucosas, mas que envolvem menos de 75% da circunferência do esôfago. É considerada uma forma grave de esofagite, frequentemente associada a complicações e necessidade de tratamento agressivo com IBP.

Quando indicar cirurgia na DRGE?

A cirurgia antirrefluxo (fundoplicatura) está indicada em casos de: falha do tratamento clínico (sintomas refratários), intolerância ao uso prolongado de IBP, complicações da DRGE (como estenoses ou esôfago de Barrett em pacientes selecionados) e em pacientes com refluxo volumoso/regurgitação que não responde ao IBP. Antes da cirurgia, é mandatório realizar manometria esofágica para excluir distúrbios motores como a acalasia.

Qual o papel do H. pylori na DRGE?

A relação entre H. pylori e DRGE é complexa. Embora a erradicação do H. pylori possa, em alguns casos, desmascarar ou piorar sintomas de refluxo devido ao aumento da secreção ácida gástrica, as diretrizes atuais recomendam o tratamento da infecção se detectada, especialmente em pacientes que farão uso prolongado de IBP, para prevenir a progressão de gastrite atrófica e reduzir o risco de câncer gástrico.

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