HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023
Mulher, 54 anos, obesa, é diagnosticada com doença do refluxo gastroesofágico. Durante o acompanhamento da doença, foi requisitada uma endoscopia digestiva alta com biópsia do terço final do esôfago, na qual foi observado um processo adaptativo do epitélio esofágico, em que houve substituição do epitélio de revestimento normal do esôfago por um mais adaptado à agressão do ácido gástrico (como representado na imagem a seguir).Qual é o processo patológico específico observado no exame histológico do esôfago neste caso?
DRGE crônica → metaplasia intestinal esofágica (Esôfago de Barrett) = risco de adenocarcinoma.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) crônica pode levar a um processo adaptativo no esôfago distal, onde o epitélio escamoso estratificado normal é substituído por epitélio colunar com células caliciformes, característico de metaplasia intestinal. Este achado é conhecido como Esôfago de Barrett e é uma condição pré-maligna para adenocarcinoma esofágico, exigindo vigilância endoscópica.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum caracterizada pelo refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou lesões. Quando crônica e não tratada, a DRGE pode levar a complicações sérias, sendo a mais importante o Esôfago de Barrett, uma condição pré-maligna que aumenta o risco de adenocarcinoma esofágico. O Esôfago de Barrett é um processo adaptativo (metaplasia) em que o epitélio escamoso estratificado normal do esôfago distal é substituído por epitélio colunar especializado com células caliciformes, semelhante ao epitélio intestinal. Essa alteração é uma resposta protetora à agressão ácida crônica, mas confere um risco aumentado de progressão para displasia e, subsequentemente, adenocarcinoma. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta com biópsias, que confirmam a metaplasia intestinal. A identificação do Esôfago de Barrett é crucial para a estratificação de risco e o estabelecimento de um programa de vigilância endoscópica regular, com biópsias, para detectar precocemente a displasia e o adenocarcinoma. O manejo da DRGE subjacente, geralmente com inibidores da bomba de prótons, é fundamental, mas não reverte a metaplasia já estabelecida. Este tema é de grande relevância para a gastroenterologia e cirurgia do aparelho digestivo em provas de residência.
Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do Esôfago de Barrett incluem Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) de longa data (mais de 5-10 anos), obesidade, hérnia de hiato, sexo masculino, idade avançada e tabagismo.
O epitélio metaplásico intestinal do Esôfago de Barrett é mais suscetível a alterações genéticas e inflamatórias crônicas, que podem progredir para displasia de baixo grau, alto grau e, finalmente, para adenocarcinoma esofágico, uma neoplasia agressiva.
O acompanhamento é feito com endoscopias digestivas altas seriadas com biópsias, em intervalos definidos pela presença e grau de displasia (sem displasia, displasia de baixo grau, displasia de alto grau), para detecção precoce de alterações malignas e intervenção oportuna.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo