UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020
Paciente do sexo masculino, 68 anos, procura atendimento médico devido queixas dispépticas, referindo ainda pirose frequente com náuseas, com piora após as refeições mais copiosas. Ao ser questionado refere que os sintomas vêm ocorrendo uma a duas vezes por semana nos últimos 4 meses, acrescentando ainda que no último mês passou a evoluir com desconforto na deglutição. Não é etilista nem tabagista, nega febre, perda ponderal, vômitos ou alterações do apetite; mantém suas atividades rotineiras sem dificuldades. Considerando um diagnóstico de Doença do Refluxo Gastroesofágico, a conduta correta deve ser:
DRGE + disfagia + >60 anos = Sinal de alarme → Endoscopia digestiva alta.
A presença de disfagia em um paciente com sintomas de DRGE, especialmente em idosos (>60 anos), é um sinal de alarme que exige investigação imediata com endoscopia digestiva alta para excluir complicações graves como esofagite erosiva grave, estenose esofágica ou adenocarcinoma de esôfago.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica comum caracterizada pelo refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas incômodos e/ou complicações. A pirose e a regurgitação são os sintomas mais típicos, afetando significativamente a qualidade de vida. A prevalência da DRGE é alta, e seu diagnóstico inicial é frequentemente clínico. A fisiopatologia da DRGE envolve a disfunção da barreira antirrefluxo, principalmente do esfíncter esofágico inferior (EEI), além de fatores como hérnia de hiato, esvaziamento gástrico retardado e motilidade esofágica alterada. Embora muitos pacientes respondam bem ao tratamento empírico com inibidores de bomba de prótons (IBP), a presença de sinais de alarme, como a disfagia, exige uma investigação mais aprofundada. A conduta em pacientes com DRGE e sinais de alarme, como disfagia e idade avançada, deve ser a realização imediata de uma endoscopia digestiva alta. Este exame permite visualizar a mucosa esofágica, identificar esofagite, estenoses, esôfago de Barrett ou neoplasias, e realizar biópsias se necessário. O tratamento dependerá dos achados endoscópicos, podendo variar de otimização da terapia com IBP a intervenções cirúrgicas ou endoscópicas para estenoses ou neoplasias.
Sinais de alarme na DRGE incluem disfagia (dificuldade para engolir), odinofagia (dor ao engolir), perda de peso inexplicada, anemia, sangramento gastrointestinal, vômitos persistentes e início dos sintomas em idade avançada (>60 anos).
A disfagia em pacientes com DRGE é um sinal de alarme porque pode indicar complicações graves, como esofagite erosiva severa, estenose esofágica (estreitamento do esôfago devido à cicatrização de lesões de refluxo) ou, mais preocupante, adenocarcinoma de esôfago, especialmente em pacientes com esôfago de Barrett.
A endoscopia digestiva alta é mandatória em pacientes com DRGE que apresentam sinais de alarme (disfagia, odinofagia, perda de peso, anemia, sangramento, vômitos persistentes, início em idade avançada), ou naqueles com sintomas refratários ao tratamento empírico com IBP.
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