DRGE em Idosos: Quando Indicar Endoscopia Digestiva Alta?

FAA/UNIFAA - Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Homem de 65 anos, tabagista, relata episódios frequentes de pirose nos últimos 10 anos e uso irregular de antiácido. Nega disfagia, odinofagia ou emagrecimento. A MELHOR conduta é:

Alternativas

  1. A) Realizar endoscopia digestiva alta.
  2. B) Iniciar omeprazol 20 mg/dia.
  3. C) Monitorização do PH esofágico por 24h.
  4. D) Indicar cirurgia anti refluxo.

Pérola Clínica

Pirose crônica em idoso tabagista, mesmo sem disfagia/emagrecimento, exige EDA para excluir complicações como Esôfago de Barrett ou neoplasia.

Resumo-Chave

Pacientes idosos com sintomas de DRGE de longa data, especialmente com fatores de risco como tabagismo, devem ser investigados com endoscopia digestiva alta, mesmo na ausência de sinais de alarme clássicos como disfagia ou emagrecimento, devido ao risco aumentado de Esôfago de Barrett e adenocarcinoma esofágico.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou complicações. A pirose (azia) é o sintoma mais típico. Em pacientes jovens e sem fatores de risco, o tratamento empírico com inibidores da bomba de prótons (IBP) pode ser a conduta inicial. No entanto, a presença de "sinais de alarme" ou fatores de risco específicos exige uma investigação mais aprofundada. Neste caso, o paciente é um homem de 65 anos, tabagista, com pirose frequente há 10 anos. Embora negue disfagia, odinofagia ou emagrecimento (sinais de alarme clássicos), a idade avançada (>50-60 anos) e o tabagismo, associados à cronicidade dos sintomas, são fatores de risco significativos para complicações da DRGE, como o Esôfago de Barrett e o adenocarcinoma de esôfago. Portanto, a melhor conduta é realizar uma endoscopia digestiva alta (EDA). A EDA permite visualizar a mucosa esofágica, identificar esofagite, hérnia de hiato, Esôfago de Barrett e, mais importante, excluir lesões malignas. O tratamento empírico com omeprazol seria inadequado sem essa avaliação inicial, e a monitorização do pH esofágico é reservada para casos refratários ou para confirmar o diagnóstico em pacientes com sintomas atípicos após EDA normal. A cirurgia anti-refluxo é uma opção para casos selecionados e após falha do tratamento clínico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme na DRGE que indicam a necessidade de endoscopia?

Sinais de alarme incluem disfagia, odinofagia, emagrecimento inexplicado, anemia, hemorragia gastrointestinal, vômitos persistentes e massa abdominal palpável.

Por que o tabagismo é um fator de risco importante na DRGE?

O tabagismo pode piorar a DRGE ao diminuir a pressão do esfíncter esofágico inferior, prejudicar a depuração esofágica e aumentar a produção de ácido gástrico, além de ser um fator de risco para câncer de esôfago.

Qual a relação entre DRGE crônica e Esôfago de Barrett?

A DRGE crônica e não tratada pode levar à metaplasia intestinal do epitélio esofágico, condição conhecida como Esôfago de Barrett, que é uma lesão pré-maligna para o adenocarcinoma de esôfago.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo