DRGE: Manejo Inicial e Uso de IBP Empírico

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2023

Enunciado

Homem de 33 anos queixa-se de regurgitação e queimação retroesternal, principalmente no período pós-prandial. Os sintomas iniciaram há algumas semanas e têm se intensificado nos últimos dias, ocorrendo várias vezes ao dia. Nega tabagismo e relata o consumo de bebidas alcoólicas em pequenas quantidades ocasionalmente. Os pais e os irmãos são saudáveis. O exame físico não apresenta anormalidades. O paciente recebeu orientações comportamentais e dietéticas para controle dos sintomas. Assinale a alternativa que apresenta a conduta MAIS ADEQUADA nesse caso:

Alternativas

  1. A) Prescrever empiricamente um inibidor de bomba de prótons em uso contínuo
  2. B) Prescrever empiricamente um bloqueador H2 se necessário quando ocorrerem os sintomas
  3. C) Solicitar endoscopia digestiva alta e prescrever empiricamente um inibidor de bomba de prótons
  4. D) Solicitar endoscopia digestiva alta e avaliar a indicação do inibidor de bomba de prótons após o resultado

Pérola Clínica

DRGE típica sem sinais de alarme → IBP empírico contínuo é a conduta inicial.

Resumo-Chave

Em pacientes com sintomas típicos de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), como queimação retroesternal e regurgitação, e na ausência de sinais de alarme (disfagia, odinofagia, perda de peso, anemia, sangramento), a conduta inicial mais adequada é a prescrição empírica de um inibidor de bomba de prótons (IBP) em uso contínuo por 4 a 8 semanas. A endoscopia digestiva alta não é indicada inicialmente nesses casos.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum que afeta milhões de pessoas, sendo uma das queixas mais frequentes em consultórios médicos e prontos-socorros. Para residentes de Clínica Médica e Gastroenterologia, o conhecimento do manejo inicial da DRGE é essencial, pois é um tema de alta prevalência e relevância clínica, frequentemente abordado em provas de residência. A DRGE é definida como uma condição em que o refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago causa sintomas incômodos e/ou complicações. Os sintomas típicos incluem queimação retroesternal (azia) e regurgitação. A fisiopatologia envolve a disfunção da barreira antirrefluxo, principalmente o esfíncter esofágico inferior. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na história dos sintomas. É crucial identificar a presença de 'sinais de alarme' (disfagia, odinofagia, perda de peso inexplicada, anemia, sangramento gastrointestinal, vômitos persistentes), que indicam a necessidade de investigação mais aprofundada, como a endoscopia digestiva alta. Em pacientes com sintomas típicos de DRGE e sem sinais de alarme, a conduta mais adequada é iniciar o tratamento empírico com um inibidor de bomba de prótons (IBP) em dose plena, uma vez ao dia, por um período de 4 a 8 semanas, associado a orientações comportamentais e dietéticas. Os IBPs são os medicamentos mais eficazes para reduzir a produção de ácido gástrico. A endoscopia digestiva alta não é indicada de rotina nesses casos, sendo reservada para falha terapêutica, recorrência precoce dos sintomas ou presença de sinais de alarme. O manejo adequado da DRGE melhora significativamente a qualidade de vida dos pacientes e previne complicações a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)?

Os sintomas típicos da DRGE incluem queimação retroesternal (azia), que é uma sensação de queimação atrás do esterno, e regurgitação, que é o retorno de conteúdo gástrico ou esofágico para a faringe ou boca, sem esforço.

Quando a endoscopia digestiva alta é indicada em pacientes com suspeita de DRGE?

A endoscopia digestiva alta não é indicada para o diagnóstico inicial de DRGE em pacientes com sintomas típicos e sem sinais de alarme. Ela é reservada para pacientes com sinais de alarme (disfagia, odinofagia, perda de peso, anemia, sangramento), refratários ao tratamento empírico com IBP, ou para rastreamento de esôfago de Barrett em grupos de risco.

Qual a importância das orientações comportamentais e dietéticas no tratamento da DRGE?

As orientações comportamentais e dietéticas são a primeira linha de tratamento e são cruciais para o controle dos sintomas da DRGE. Incluem evitar alimentos que desencadeiam o refluxo (gordurosos, cítricos, café, chocolate), não deitar logo após as refeições, elevar a cabeceira da cama, evitar tabagismo e reduzir o consumo de álcool.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo