DRGE: Tosse Crônica e Laringite Posterior - Diagnóstico

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

Mulher, 38 anos, advogada, casada. Paciente chega ao seu consultório encaminhada pelo otorrinolaringologista, o qual procurou por tosse seca persistente. Diz que os sintomas se iniciaram há alguns meses e são mais intensos após as refeições e em decúbito dorsal. Sem comorbidades e sem medicações. Nega atopias. Nega história familiar de neoplasias gastrointestinais. Traz consigo exames já realizados: laringoscopia que mostra laringite posterior, e endoscopia digestiva alta normal. Qual a hipótese diagnóstica mais provável e que exame deve ser solicitado para confirmação diagnóstica? 

Alternativas

  1. A) Asma / Espirometria 
  2. B) Sinusite / TC de seios da face
  3. C) Alergia / Patch test
  4. D) Pneumonia / RX de tórax PA
  5. E) Doença do refluxo / pHmetria

Pérola Clínica

Tosse crônica + laringite posterior + piora pós-refeição/decúbito → DRGE, confirmar com pHmetria.

Resumo-Chave

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) pode manifestar-se com sintomas extraesofágicos, como tosse crônica e laringite posterior, mesmo com endoscopia digestiva alta normal. A pHmetria esofágica de 24 horas é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico nesses casos.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou complicações. Embora classicamente associada a pirose e regurgitação, a DRGE pode se manifestar com uma variedade de sintomas extraesofágicos, tornando seu diagnóstico um desafio para médicos e residentes. Os sintomas extraesofágicos incluem tosse crônica, laringite posterior, asma, dor torácica não cardíaca e erosões dentárias. Nesses casos, a endoscopia digestiva alta pode ser normal, pois não há lesões visíveis na mucosa esofágica (DRGE não erosiva). A fisiopatologia envolve a exposição da laringe e brônquios ao ácido e pepsina, ou reflexos vagais. A suspeita clínica é crucial, especialmente em pacientes com tosse crônica e laringite posterior sem outras causas evidentes. O exame padrão-ouro para confirmação diagnóstica é a pHmetria esofágica de 24 horas, que mede a frequência e duração dos episódios de refluxo ácido. O tratamento envolve modificações no estilo de vida e inibidores da bomba de prótons, com boa resposta na maioria dos casos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas extraesofágicos mais comuns da DRGE?

Os sintomas extraesofágicos da DRGE incluem tosse crônica, rouquidão, laringite posterior, asma de difícil controle, dor torácica não cardíaca e erosões dentárias.

Por que a endoscopia digestiva alta pode ser normal em casos de DRGE com sintomas extraesofágicos?

A endoscopia digestiva alta avalia a presença de lesões na mucosa esofágica (esofagite), mas muitos pacientes com DRGE, especialmente aqueles com sintomas extraesofágicos, podem ter refluxo ácido sem esofagite visível, caracterizando a DRGE não erosiva.

Qual é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico de DRGE com sintomas atípicos?

A pHmetria esofágica de 24 horas é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico de DRGE, especialmente em pacientes com sintomas atípicos ou extraesofágicos e endoscopia normal, pois mede diretamente a exposição do esôfago ao ácido.

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