UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Mulher, 44 anos, foi submetida a gastrectomia vertical por obesidade mórbida há 1 ano. Em consulta de retorno, refere importante dor retroesternal, especialmente a noite. A principal hipótese diagnóstica e conduta mais adequada é:
Dor retroesternal noturna pós-gastrectomia vertical → DRGE é a principal hipótese, investigar com EDA.
A gastrectomia vertical (sleeve) pode induzir ou piorar a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) devido à alteração da anatomia gástrica e aumento da pressão intraluminal. Dor retroesternal, especialmente noturna, é um sintoma clássico de DRGE, e a endoscopia digestiva alta (EDA) é o exame de escolha para avaliar a mucosa esofágica e descartar outras complicações.
A gastrectomia vertical (sleeve gastrectomy) é uma das cirurgias bariátricas mais realizadas globalmente, eficaz na perda de peso e melhora de comorbidades. No entanto, como qualquer procedimento cirúrgico, possui complicações. Uma das complicações mais relevantes e frequentes a longo prazo é a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) de novo ou a piora de uma DRGE pré-existente. A prevalência de DRGE pós-sleeve varia, mas pode afetar uma parcela significativa dos pacientes, impactando sua qualidade de vida. É fundamental que residentes e cirurgiões bariátricos estejam cientes dessa complicação. A fisiopatologia da DRGE pós-sleeve é multifatorial. A remoção do fundo gástrico, que contém a maior parte das células produtoras de grelina e atua como reservatório, altera a anatomia e a fisiologia gástrica. O estômago tubular restante pode funcionar como um tubo de alta pressão, impulsionando o conteúdo gástrico para o esôfago. Além disso, a alteração do ângulo de His e a possível disfunção do esfíncter esofágico inferior contribuem para o refluxo. A dor retroesternal, especialmente noturna, é um sintoma clássico de esofagite e deve levantar a suspeita de DRGE. O diagnóstico da DRGE pós-sleeve é feito com base nos sintomas e confirmado por exames complementares. A endoscopia digestiva alta (EDA) é o exame de escolha para avaliar a mucosa esofágica, identificar esofagite erosiva, úlceras ou estenoses, e descartar outras causas de dor. A pHmetria de 24 horas pode ser útil para quantificar o refluxo. O tratamento inicial é clínico, com inibidores de bomba de prótons (IBP). Em casos refratários ou com complicações graves, a conversão para bypass gástrico em Y de Roux pode ser considerada, pois este procedimento é mais eficaz no controle do refluxo.
A gastrectomia vertical remove grande parte do fundo gástrico, que atua como reservatório e parte da barreira antirrefluxo. A porção tubular restante do estômago pode ter maior pressão intraluminal e esvaziamento mais rápido, além de alterar o ângulo de His, favorecendo o refluxo gastroesofágico.
Os sintomas são semelhantes aos da DRGE em pacientes não operados, incluindo azia, regurgitação, dor retroesternal, tosse crônica e disfagia. A dor retroesternal, especialmente à noite, é um sintoma proeminente que sugere esofagite ou irritação esofágica pelo refluxo.
A EDA é crucial para avaliar a mucosa esofágica, identificar esofagite, úlceras ou estenoses, e descartar outras complicações como hérnia de hiato ou fístulas. Ela permite classificar a gravidade da esofagite e guiar o tratamento, que geralmente inicia com inibidores de bomba de prótons.
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