DRGE: Desmame de IBP e Manejo Pós-Tratamento

UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 22 anos com queixa de pirose e regurgitação há 3 meses, que piora a noite e com ingestão alcoólica, retorna em consulta após uso de Inibidor de Bomba de Prótons (IBP) por 2 meses, com melhora importante dos sintomas. Assinale a alternativa correta em relação à melhor conduta nesse momento.

Alternativas

  1. A) Manutenção do IBP até 6 meses
  2. B) Miotomia endoscópica peroral (POEM)
  3. C) pHmetria de 24h para confirmar o refluxo gastresofágico
  4. D) Observação clínica a cada mês
  5. E) Cirurgia com hiatoplastia e fundoplicatura laparoscópica.

Pérola Clínica

DRGE com melhora sintomática após IBP → tentar desmame e observação clínica.

Resumo-Chave

Em pacientes com DRGE que respondem bem ao IBP e não apresentam sinais de alarme, a conduta inicial após o controle dos sintomas é tentar o desmame do IBP ou uso sob demanda, com acompanhamento clínico para reavaliar a necessidade de manutenção.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas como pirose e regurgitação. Sua prevalência é alta, afetando significativamente a qualidade de vida. O manejo inicial geralmente envolve modificações no estilo de vida e o uso de Inibidores de Bomba de Prótons (IBP), que são altamente eficazes na supressão da produção de ácido. A fisiopatologia da DRGE envolve a disfunção da barreira antirrefluxo, principalmente o esfíncter esofágico inferior. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sintomas típicos. A endoscopia digestiva alta é indicada em casos de sinais de alarme, falha terapêutica ou para rastreamento de complicações como esôfago de Barrett. Após o controle dos sintomas com IBP, a conduta ideal para muitos pacientes é tentar o desmame gradual do medicamento ou o uso sob demanda, especialmente na ausência de esofagite erosiva grave ou outras complicações. A manutenção prolongada de IBP deve ser reservada para casos específicos, como esôfago de Barrett, esofagite grave recorrente ou pacientes com sintomas refratários, devido aos potenciais efeitos adversos do uso crônico. A observação clínica regular é crucial para monitorar a recorrência dos sintomas e ajustar a terapia conforme necessário.

Perguntas Frequentes

Quando considerar o desmame do IBP em pacientes com DRGE?

O desmame do IBP pode ser considerado em pacientes com DRGE que apresentaram melhora significativa dos sintomas após um período de tratamento e não possuem esofagite grave ou complicações.

Quais são os riscos do uso prolongado de IBP?

O uso prolongado de IBP pode estar associado a riscos como deficiência de vitamina B12, hipomagnesemia, aumento do risco de infecções entéricas (ex: C. difficile) e fraturas ósseas.

Quais sinais de alarme na DRGE indicam a necessidade de investigação adicional?

Sinais de alarme incluem disfagia, odinofagia, perda de peso inexplicada, anemia, hemorragia gastrointestinal e vômitos persistentes, que exigem endoscopia digestiva alta.

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