DRGE Refratária: Definição e Manejo Terapêutico

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022

Enunciado

Em relação à doença do refluxo gástrico-esofágico (DRGE), é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Constituem sintomas/sinais de alerta para gravidade da DRGE que exigem rastreio para complicações como o desenvolvimento de neoplasias: emagrecimento; anemia ferropriva; início recente dos sintomas típicos antes dos 30 anos de idade; história familiar de adenocarcinoma.
  2. B) São fatores de risco para a DRGE ou pioram sua sintomatologia em relação aos hábitos: alimentos salgados, chocolates, fastfoods, líquidos caseificados; tabagismo; atividade física moderada de longa duração.
  3. C) O uso de procinéticos associados aos inibidores de bombas de prótons é indicado nos casos de sintomatologia leve (LA grau C-D), devendo sempre ser usados na terapia empírica, no período não inferior a duas semanas.
  4. D) A definição de refratariedade ao tratamento da DRGE se constitui em uma resposta ausente ou parcial após quatro a oito semanas de tratamento com inibidores de bomba de prótons em dose plena duas vezes ao dia ou uma vez ao dia.
  5. E) Em todos os casos de sintomatologia compatível de DRGE, está formalmente indicada a endoscopia digestiva alta para investigação da extensão da lesão.

Pérola Clínica

DRGE refratária = resposta ausente/parcial após 4-8 semanas de IBP em dose plena (1-2x/dia).

Resumo-Chave

A refratariedade da DRGE é definida pela falha terapêutica com IBP em dose plena por um período adequado. Isso exige reavaliação diagnóstica e terapêutica, buscando outras causas ou otimizando o tratamento.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica comum, caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou complicações. Sua prevalência é alta, afetando uma parcela significativa da população adulta. O tratamento inicial geralmente envolve modificações no estilo de vida e o uso de inibidores de bomba de prótons (IBP), que são altamente eficazes na supressão da produção de ácido. A fisiopatologia da DRGE envolve múltiplos fatores, como disfunção do esfíncter esofágico inferior, hérnia de hiato, esvaziamento gástrico retardado e alterações na depuração esofágica. O diagnóstico é frequentemente clínico, mas a endoscopia digestiva alta é indicada em casos de sintomas de alerta ou falha terapêutica. A definição de refratariedade é crucial para guiar a próxima etapa do manejo. A refratariedade ao tratamento da DRGE é definida como a persistência de sintomas após quatro a oito semanas de tratamento com IBP em dose plena, uma ou duas vezes ao dia. Nesses casos, é fundamental reavaliar o diagnóstico, a adesão ao tratamento e considerar investigações adicionais, como pHmetria esofágica de 24 horas ou impedanciopHmetria, para identificar a causa da falha terapêutica e otimizar a conduta.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas de alerta na DRGE que indicam a necessidade de endoscopia?

Sintomas de alerta incluem disfagia, odinofagia, emagrecimento inexplicado, anemia ferropriva, sangramento gastrointestinal, vômitos persistentes e massa abdominal palpável.

Quando a endoscopia digestiva alta é indicada na DRGE?

A endoscopia é indicada na presença de sintomas de alerta, falha terapêutica com IBP, sintomas atípicos (dor torácica), ou para rastreamento em pacientes com fatores de risco para esôfago de Barrett.

Quais são as principais causas de DRGE refratária?

As causas incluem má adesão ao tratamento, uso inadequado de IBP, diagnóstico incorreto (outras doenças esofágicas), esôfago de Barrett, hérnia de hiato volumosa, ou refluxo não ácido.

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