DRGE e Hérnia Hiatal: Conduta Inicial e Opções Terapêuticas

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 46 anos, sexo masculino, IMC = 33 Kg/m², com queixa de pirose e regurgitação, procura um clínico geral, que solicita uma endoscopia digestiva alta. Oreferido exame tem como conclusão: “Esofagite erosiva Grau B de Los Angeles + hérnia hiatal de 2 cm”. Com bases nesses achados, a melhor conduta inicial é

Alternativas

  1. A) tratar o refluxo gastroesofágico com medidas comportamentais e inibidores da bomba de prótons; já a hérnia só teria indicação cirúrgica em caso de recidiva dos sintomas.
  2. B) indicar radiografia contrastada do esôfago para confirmar a hérnia hiatal, já que a endoscopia não tem alta especificidade para esse diagnóstico.
  3. C) indicar cirurgia bariátrica, já que o tratamento clínico do refluxo gastroesofágico em obesos é frequentemente ineficaz.
  4. D) tratar o refluxo gastroesofágico com inibidores da bomba de prótons e tratar a hérnia hiatal com hiatorrafia + fundoplicatura.

Pérola Clínica

DRGE com hérnia hiatal pequena: iniciar com IBP + medidas comportamentais; cirurgia para hérnia só se refratária.

Resumo-Chave

A conduta inicial para DRGE, mesmo com esofagite erosiva Grau B e hérnia hiatal pequena (<3 cm), é clínica. Isso inclui inibidores da bomba de prótons (IBP) e modificações no estilo de vida. A cirurgia para hérnia hiatal é reservada para casos de falha do tratamento clínico ou complicações específicas.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou lesões. A esofagite erosiva, classificada pela escala de Los Angeles, indica a presença de lesões na mucosa esofágica. A hérnia hiatal, por sua vez, é a protrusão de parte do estômago para o tórax através do hiato esofágico do diafragma, e frequentemente coexiste com a DRGE, podendo agravar os sintomas de refluxo. A abordagem inicial para a maioria dos pacientes com DRGE e hérnia hiatal pequena é conservadora, focando no alívio dos sintomas e na cicatrização da esofagite. O tratamento clínico da DRGE baseia-se primariamente no uso de inibidores da bomba de prótons (IBP), que são altamente eficazes na redução da produção de ácido gástrico e na cicatrização da esofagite. Além da farmacoterapia, as medidas comportamentais são fundamentais, incluindo modificações dietéticas (evitar alimentos gordurosos, cítricos, cafeína, chocolate), elevação da cabeceira da cama, evitar refeições volumosas antes de deitar e, especialmente em pacientes com sobrepeso ou obesidade, a perda de peso. A hérnia hiatal de pequeno tamanho (até 2-3 cm) geralmente não requer intervenção cirúrgica imediata, sendo manejada clinicamente junto com a DRGE. A indicação cirúrgica para DRGE e hérnia hiatal é reservada para casos selecionados, como falha do tratamento clínico otimizado, complicações graves (hemorragia, estenose refratária, esôfago de Barrett com displasia de alto grau), ou para pacientes que não desejam o uso contínuo de IBP e têm boa resposta ao teste com IBP. A cirurgia bariátrica pode ser considerada em pacientes obesos mórbidos com DRGE, mas não é a primeira linha de tratamento para o refluxo em si. É crucial que o residente saiba diferenciar as indicações e priorizar o tratamento clínico como primeira linha, reservando a cirurgia para situações específicas.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial para esofagite erosiva Grau B e hérnia hiatal pequena?

A conduta inicial é o tratamento clínico, que inclui o uso de inibidores da bomba de prótons (IBP) em dose plena e medidas comportamentais, como elevação da cabeceira da cama, evitar alimentos gatilho, não deitar após refeições e perda de peso.

Quando a cirurgia para hérnia hiatal é indicada em casos de DRGE?

A cirurgia (fundoplicatura) é indicada para hérnia hiatal e DRGE quando há falha do tratamento clínico otimizado, complicações como esôfago de Barrett com displasia, ou em pacientes jovens que desejam evitar o uso contínuo de IBP.

Qual o papel da obesidade na DRGE e no tratamento?

A obesidade é um fator de risco importante para a DRGE, pois aumenta a pressão intra-abdominal e favorece o refluxo. A perda de peso é uma medida comportamental crucial e pode melhorar significativamente os sintomas e a resposta ao tratamento clínico.

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