Unioeste/HUOP - Hospital Universitário do Oeste do Paraná - Cascavel (PR) — Prova 2015
Paciente A.P.W., 51 anos, foi atendido no ambulatório do HUOP na última terça-feira apresentando, há vários anos após ingestão de alguns alimentos, a sensação de queimação retroesternal que se irradia do epigástrio até a base do pescoço, associada com a sensação de retorno do conteúdo ácido para a cavidade oral. Sintomas que nos últimos 3 meses apresentava-se diariamente com piora no período noturno. Endoscopia Digestiva Alta: gastrite erosiva discreta de antro. Tendo por base o caso clínico transcrito acima, é INCORRETO afirmar:
DRGE: Manometria com hipotonia esfincteriana não descarta tratamento clínico prolongado; cirurgia é opção para refratários.
A manometria esofágica avalia a função motora do esôfago e do esfíncter esofágico inferior (EEI). Embora a hipotonia do EEI seja um fator predisponente à DRGE, sua presença não significa que o paciente não responderá ao tratamento clínico. A cirurgia é reservada para casos refratários ou com complicações específicas, não sendo descartada apenas pela hipotonia.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas incômodos e/ou complicações. A pirose (queimação retroesternal) e a regurgitação são os sintomas mais comuns, mas a DRGE pode ter apresentações atípicas. O diagnóstico é frequentemente clínico, mas exames complementares são essenciais para confirmar a doença, avaliar a extensão das lesões e guiar o tratamento. A Endoscopia Digestiva Alta (EDA) é fundamental para identificar esofagite, estenoses, úlceras e o esôfago de Barrett, além de descartar outras patologias. Contudo, a ausência de lesões na EDA não exclui a DRGE (DRNE), sendo a pHmetria esofágica prolongada o padrão-ouro para documentar o refluxo patológico nesses casos. A manometria esofágica avalia a função motora do esôfago e do esfíncter esofágico inferior (EEI), sendo útil para identificar hipotonia do EEI ou distúrbios de motilidade, que podem predispor ao refluxo. É crucial para residentes entender que a hipotonia do EEI na manometria, embora um fator de risco, não contraindica o tratamento clínico prolongado nem automaticamente indica cirurgia. Muitos pacientes respondem bem à terapia com inibidores de bomba de prótons (IBPs) e modificações no estilo de vida. A cirurgia (fundoplicatura) é uma opção para pacientes com DRGE refratária ao tratamento clínico, com complicações graves, ou para aqueles que desejam evitar a medicação contínua, sendo uma decisão individualizada e baseada em múltiplos fatores.
A EDA é indicada para investigar sintomas de alarme (disfagia, odinofagia, perda de peso, anemia), avaliar a presença e gravidade de esofagite, descartar outras patologias e realizar biópsias para diagnóstico diferencial ou rastreamento de esôfago de Barrett.
A pHmetria esofágica é o padrão-ouro para confirmar o refluxo gastroesofágico patológico, especialmente em pacientes com sintomas típicos de DRGE mas com EDA normal (DRNE - Doença do Refluxo Não Erosiva) ou para avaliar a resposta ao tratamento e a indicação cirúrgica.
As indicações incluem intolerância ou refratariedade ao tratamento clínico prolongado, complicações da DRGE (esofagite grave, estenose, esôfago de Barrett com displasia), pacientes jovens que desejam evitar medicação contínua e presença de hérnia de hiato volumosa.
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