DRGE Crônica: Quando Indicar Endoscopia e IBP?

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 52 anos apresenta queimação retroesternal e regurgitação há 5 anos, inicialmente cerca de 3 vezes na semana, e há 1 ano diariamente. O quadro é desencadeado minutos após a alimentação ou quando fica “estressada” e melhora com o uso de antiácidos, os quais utiliza sob demanda desde o início dos sintomas. Relata rouquidão recorrente há mais de 10 anos. AP: tabagismo ativo (20 anos-maço). Exame físico: IMC: 30,4 kg/m2, sem demais alterações. Além de orientações dietéticas e comportamentais, a conduta inicial mais adequada é

Alternativas

  1. A) prescrição de inibidor de bomba de prótons; pHmetria de 24 horas.
  2. B) prescrição de inibidor de bomba de prótons; endoscopia digestiva alta.
  3. C) manometria convencional; pHmetria de 24 horas.
  4. D) manometria alta resolução; endoscopia digestiva alta.

Pérola Clínica

DRGE crônica (>5 anos), sintomas atípicos (rouquidão) e fatores de risco (tabagismo, obesidade) → IBP + EDA para avaliar complicações.

Resumo-Chave

Pacientes com DRGE de longa duração (5 anos), sintomas extraesofágicos (rouquidão), e fatores de risco (tabagismo, obesidade) têm maior probabilidade de complicações como esofagite, esôfago de Barrett ou estenose. Nesses casos, a endoscopia digestiva alta é essencial para avaliar a mucosa esofágica e guiar a conduta, além da terapia com IBP.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição prevalente, e sua apresentação pode variar de sintomas típicos e leves a quadros crônicos com complicações significativas. A duração dos sintomas, a presença de manifestações extraesofágicas e fatores de risco são cruciais para determinar a conduta diagnóstica e terapêutica. Em pacientes com DRGE de longa data (mais de 5 anos), sintomas atípicos como rouquidão recorrente, e fatores de risco como tabagismo e obesidade (IMC > 30 kg/m²), a probabilidade de complicações esofágicas (esofagite erosiva, estenose, esôfago de Barrett) aumenta consideravelmente. Nesses casos, a endoscopia digestiva alta não é apenas um exame diagnóstico, mas uma ferramenta essencial para estratificação de risco e rastreamento de pré-malignidade. A conduta inicial mais adequada para esses pacientes inclui a prescrição de inibidores de bomba de prótons (IBP) para controle dos sintomas e cicatrização de lesões, juntamente com a realização de uma endoscopia digestiva alta. As orientações dietéticas e comportamentais são sempre importantes, mas a avaliação endoscópica é indispensável para guiar o manejo a longo prazo e identificar a necessidade de vigilância ou intervenções adicionais.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais que indicam a necessidade de endoscopia digestiva alta em pacientes com DRGE?

A endoscopia é indicada em pacientes com DRGE de longa duração, sintomas atípicos (como rouquidão, tosse crônica), sinais de alarme (disfagia, odinofagia, perda de peso, anemia, sangramento), ou fatores de risco para complicações (tabagismo, obesidade, idade avançada).

Por que a rouquidão pode ser um sintoma de DRGE?

A rouquidão é um sintoma extraesofágico da DRGE, causada pela irritação das cordas vocais pelo refluxo do conteúdo ácido gástrico. É um sinal de que o refluxo pode estar atingindo a laringe e faringe, indicando uma forma mais complexa da doença.

Qual o papel do tabagismo e da obesidade na DRGE?

O tabagismo e a obesidade são importantes fatores de risco para a DRGE. O tabaco diminui a pressão do esfíncter esofágico inferior e a produção de saliva, enquanto a obesidade aumenta a pressão intra-abdominal, favorecendo o refluxo e suas complicações.

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