CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025
Paciente do sexo masculino, 32 anos, obeso e fumante, refere história de pirose e sensação de regurgitação ácida há muitos anos, evoluindo com episódios de dor torácica ocasional, fazendo uso intermitente de anti-ácidos por conta própria. Refere, ainda, episódios de rouquidão. Nega disfagia e hematêmese. Traz consigo à consulta, uma endoscopia digestiva alta solicitada pelo médico do posto de saúde que evidenciou presença da transição esôfago gástrica 3cm acima da impressão diafragmática além de 2 erosões em mucosa esofagiana que ocupam cerca de 75% da sua circunferência. Sobre o caso, assinale a alternativa CORRETA:
DRGE com esofagite erosiva grave (C/D de Los Angeles) e hérnia de hiato → investigação completa antes de cirurgia.
A presença de esofagite erosiva grave (ocupando 75% da circunferência, grau C ou D de Los Angeles) e hérnia de hiato na endoscopia já configura um diagnóstico de DRGE, mas não exclui a necessidade de exames funcionais (pHmetria e manometria) para guiar a conduta terapêutica, especialmente se a cirurgia for considerada.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum caracterizada pelo refluxo de conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou lesões. Os sintomas típicos incluem pirose e regurgitação, mas manifestações atípicas como dor torácica, rouquidão e tosse crônica também podem ocorrer. Fatores de risco incluem obesidade e tabagismo, presentes no paciente do caso. A endoscopia digestiva alta é um exame fundamental na avaliação da DRGE, especialmente para identificar esofagite erosiva, hérnia de hiato e complicações como esôfago de Barrett. A classificação de Los Angeles é utilizada para graduar a esofagite. No caso apresentado, a esofagite erosiva que ocupa 75% da circunferência sugere um grau C ou D, indicando doença mais grave. A presença de hérnia de hiato também é um achado relevante. Embora a endoscopia possa confirmar o diagnóstico de DRGE, a decisão sobre o tratamento ideal, especialmente a fundoplicatura laparoscópica, geralmente exige uma investigação mais aprofundada. A pHmetria esofágica de 24 horas quantifica a exposição ácida, e a manometria esofágica avalia a motilidade do esôfago e a função do esfíncter esofágico inferior, sendo essenciais para descartar distúrbios motores e otimizar o planejamento cirúrgico. Portanto, a alternativa D está incorreta ao afirmar que os achados endoscópicos são suficientes para indicar tratamento excluindo a necessidade de pHmetria e manometria.
A endoscopia é indicada em pacientes com sintomas de alarme (disfagia, odinofagia, perda de peso, anemia, hemorragia), falha ao tratamento empírico com IBP, sintomas crônicos ou para rastreamento de complicações como esôfago de Barrett.
A pHmetria avalia a exposição ácida do esôfago, sendo crucial para confirmar o refluxo patológico em casos sem esofagite. A manometria avalia a motilidade esofágica e a função do esfíncter esofágico inferior, essencial antes de cirurgias antirrefluxo para identificar distúrbios motores.
Sim, a presença de esofagite erosiva e/ou hérnia de hiato na endoscopia é suficiente para o diagnóstico de DRGE. No entanto, a decisão terapêutica, especialmente a cirurgia, geralmente requer avaliação funcional adicional com pHmetria e manometria.
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