INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Uma criança com 10 meses de vida é atendida em um ambulatório de Pediatria. A mãe relata que o apetite da criança está preservado, apesar da existência de regurgitações pós prandiais, choro persistente, principalmente à noite e após as mamadas, e acrescenta que, apesar do espessamento dos alimentos, não houve melhora da situação clínica. A criança apresenta ganho ponderal e desenvolvimento adequados para a idade e, na história pregressa, relata dois episódios de broncoespasmo e um de otite média aguda. Nesse caso, a conduta adequada é iniciar a administração de:
Lactente com regurgitação + sintomas respiratórios/irritabilidade → Pensar em DRGE e considerar supressão ácida.
Diferente do refluxo fisiológico, a DRGE apresenta complicações como broncoespasmo e otite. O tratamento medicamentoso com supressores de ácido é indicado quando medidas conservadoras falham.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) na infância é um diagnóstico clínico desafiador. A maioria dos lactentes apresenta refluxo gastroesofágico funcional devido à imaturidade do esfíncter esofágico inferior, que tende a resolver espontaneamente até os 12-18 meses de vida. No entanto, quando surgem manifestações extraesofágicas, como as citadas no caso (broncoespasmo e otite), a intervenção torna-se necessária. Historicamente, a ranitidina foi amplamente utilizada como primeira linha de supressão ácida em pediatria. Embora seu uso tenha sido restringido em alguns países por questões de pureza do fármaco (presença de NDMA), o conceito médico avaliado na questão foca na necessidade de reduzir a acidez gástrica para tratar as complicações da DRGE que não respondem a medidas posturais e dietéticas.
O refluxo fisiológico ('golfador feliz') é caracterizado por regurgitações sem repercussões clínicas, com ganho de peso normal e ausência de irritabilidade excessiva. Já a DRGE envolve sintomas patológicos ou complicações, como baixo ganho ponderal, esofagite (irritabilidade, recusa alimentar), sintomas respiratórios recorrentes (sibilância, pneumonia) ou apneia.
O paciente apresenta sinais de DRGE complicada: choro persistente (sinal de esofagite), broncoespasmo e otite média recorrente, sem melhora com espessamento alimentar. Nesses casos, a supressão ácida com bloqueadores H2 (como a ranitidina) ou inibidores de bomba de prótons é indicada para reduzir a agressão ácida à mucosa esofágica e vias aéreas.
As medidas iniciais incluem o fracionamento das mamadas, manutenção da postura vertical após a alimentação por 20-30 minutos, elevação da cabeceira do berço (embora controversa em lactentes pequenos pelo risco de morte súbita) e, em alguns casos, o uso de fórmulas espessadas ou exclusão de proteína do leite de vaca se houver suspeita de APLV associada.
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