DRGE: Manifestações Extraesofágicas e Conduta Cirúrgica

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Mulher, (54) anos, corretora, queixa-se de tosse crônica e rouquidão, há três anos, com piora acentuada nos últimos meses. Informa que a tosse é seca, sem expectoração ou febre, e piora ao decúbito. Nega outras queixas. Vem encaminhada por pneumologista, por suspeita de que os sintomas respiratórios possam estar relacionados com refluxo gastresofágico patológico. Em relação às próximas condutas propedêutico-terapêuticas, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A presença de esofagite grau A ou B de Los Angeles na endoscopia digestiva alta confirmaria a suspeita diagnóstica do pneumologista.
  2. B) Dever-se-ia prescrever inibidor de bomba de prótons e, depois de seis semanas de uso contínuo, realizar pHmetria esofágica de 24h.
  3. C) O diagnóstico endoscópico ou radiológico de hérnia hiatal de deslizamento justificaria por si só a realização de cirurgia antirrefluxo.
  4. D) Paciente deveria ser informada que, mesmo que exames confirmem refluxo patológico, o tratamento cirúrgico pode não resolver os sintomas.

Pérola Clínica

Sintomas extraesofágicos (tosse/rouquidão) → Cirurgia pode não resolver mesmo com refluxo provado.

Resumo-Chave

Sintomas atípicos de DRGE têm menor taxa de resposta ao tratamento cirúrgico e clínico comparados aos sintomas típicos (pirose/regurgitação).

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) pode se manifestar de forma atípica através de sintomas respiratórios e otorrinolaringológicos, como tosse seca, asma, laringite e rouquidão. O diagnóstico é desafiador, pois muitos desses pacientes não apresentam pirose ou esofagite na endoscopia. A decisão terapêutica, especialmente a cirúrgica, deve ser cautelosa. A presença de esofagite leve (Los Angeles A ou B) ou hérnia hiatal isolada não confirma que o refluxo é a causa dos sintomas extraesofágicos. A pHmetria ou impedâncio-pHmetria são fundamentais para estabelecer o nexo causal antes de qualquer intervenção invasiva.

Perguntas Frequentes

O tratamento com IBP sempre resolve a tosse crônica por refluxo?

Não. A resposta dos sintomas extraesofágicos aos Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) é frequentemente imprevisível e pode exigir doses dobradas por períodos prolongados (até 3 meses) para avaliação de eficácia.

Quando a pHmetria de 24 horas é indicada?

É indicada para confirmar o refluxo patológico em pacientes com sintomas atípicos, em casos refratários ao tratamento clínico ou como avaliação pré-operatória obrigatória para garantir que os sintomas estão relacionados ao ácido.

A cirurgia antirrefluxo é eficaz para rouquidão?

A eficácia da cirurgia (fundoplicatura) para sintomas extraesofágicos é significativamente menor do que para sintomas típicos. O paciente deve ser alertado de que a correção anatômica pode não eliminar a tosse ou a rouquidão.

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