DRGE: Diagnóstico e Tratamento Empírico

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 28 anos de idade apresenta-se em consulta ambulatorial com queixas de queimação retroesternal, pirose e regurgitação há 6 meses de intensidade leve a moderada, principalmente à noite, cerca de 4 vezes por semana. Há 2 meses iniciou quadro de tosse seca e rouquidão. Nega perda de peso. Nega tabagismo e etilismo. Ao exame clínico apresenta-se em bom estado geral, IMC de 41 kg/m2 , sem alterações clínicas. Traz resultado de uma endoscopia digestiva alta, realizada há 1 semana, sem alterações. Em relação às condutas diagnósticas e terapêuticas indicadas para este caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Antes de introduzir medidas terapêuticas, deve-se realizar pHmetria esofágica para definição diagnóstica.
  2. B) Deve-se introduzir medidas terapêuticas e realizar uma broncoscopia para definição diagnóstica.
  3. C) Faz-se necessária realização de nova endoscopia com biópsia da mucosa esofágica.
  4. D) Não é necessário a realização de novos exames neste momento e deve-se prescrever inibidor de bomba de prótons, medidas dietéticas e comportamentais.
  5. E) Deve-se realizar ultrassonografia de abdome e, se alterado, introduzir tratamento direcionado para a alteração encontrada.

Pérola Clínica

DRGE típica sem sinais de alarme + endoscopia normal → IBP empírico + medidas comportamentais.

Resumo-Chave

Em pacientes com sintomas típicos de DRGE (pirose, regurgitação) e sintomas extraesofágicos (tosse, rouquidão), sem sinais de alarme e com endoscopia digestiva alta normal, a conduta inicial é o tratamento empírico com inibidores de bomba de prótons (IBP) associado a medidas dietéticas e comportamentais. Exames adicionais como pHmetria são reservados para casos refratários ou atípicos.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum, caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou complicações. Os sintomas típicos incluem pirose (azia) e regurgitação, mas também pode apresentar manifestações extraesofágicas como tosse crônica, rouquidão, dor torácica não cardíaca e asma. A obesidade é um importante fator de risco. O diagnóstico da DRGE é frequentemente clínico, baseado na história dos sintomas. Em pacientes com sintomas típicos e ausência de sinais de alarme (como disfagia, odinofagia, perda de peso, anemia ou sangramento), a conduta inicial é o tratamento empírico com Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) por 4 a 8 semanas, associado a medidas dietéticas e comportamentais (elevar a cabeceira da cama, evitar refeições volumosas antes de deitar, perder peso). A endoscopia digestiva alta é indicada na presença de sinais de alarme, falha do tratamento empírico ou para rastreamento de Esôfago de Barrett em pacientes com fatores de risco. Uma endoscopia normal é comum na DRGE não erosiva e não exclui o diagnóstico. Exames como a pHmetria esofágica de 24 horas são reservados para casos refratários ao IBP ou para investigar sintomas atípicos sem resposta ao tratamento inicial, antes de considerar outras intervenções.

Perguntas Frequentes

Quando o tratamento empírico com IBP é indicado para DRGE?

O tratamento empírico com Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) é indicado para pacientes com sintomas típicos de DRGE (pirose, regurgitação) que não apresentam sinais de alarme (disfagia, odinofagia, perda de peso, anemia, sangramento gastrointestinal) e, se realizada, uma endoscopia digestiva alta normal.

Quais são os sinais de alarme na DRGE que justificam investigação adicional?

Sinais de alarme na Doença do Refluxo Gastroesofágico incluem disfagia (dificuldade para engolir), odinofagia (dor ao engolir), perda de peso inexplicada, anemia por deficiência de ferro, sangramento gastrointestinal, vômitos persistentes e massa abdominal palpável. A presença de qualquer um desses sinais exige investigação mais aprofundada.

Qual o papel da endoscopia digestiva alta em um caso típico de DRGE?

Em um caso típico de DRGE sem sinais de alarme, a endoscopia digestiva alta não é necessária inicialmente. Se realizada e normal, ela confirma a ausência de esofagite erosiva grave ou outras complicações, mas o tratamento empírico com IBP ainda é a conduta padrão, pois muitos pacientes com DRGE não apresentam alterações endoscópicas.

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