UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 42 anos queixa-se de queimação retroesternal e epigastralgia importante há 3 meses.\nRefere boa alimentação, prática de atividades físicas regulares e reposição correta de\nmicronutrientes. AP: gastrectomia vertical há 1 ano. EF: IMC 23 kg/m². Foi orientada a realizar o\nfracionamento da dieta, porém mantém as queixas.\nO diagnóstico e o exame padrão-ouro para o diagnóstico são:
Sleeve gástrico → ↑ Pressão intragástrica + ↓ EEI → DRGE (Padrão-ouro: Impedâncio-pHmetria).
A gastrectomia vertical (sleeve) altera a anatomia do ângulo de His e aumenta a pressão no reservatório gástrico, sendo um fator de risco conhecido para o desenvolvimento ou agravamento da DRGE.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é a complicação tardia mais relevante da gastrectomia vertical. Enquanto o Bypass Gástrico é um procedimento anti-refluxo por excelência, o sleeve pode ser pro-refluxogênico. O diagnóstico preciso é fundamental, especialmente em pacientes que mantêm sintomas apesar do fracionamento dietético e uso de medicações.\n\nA impedâncio-pHmetria de 24 horas consolidou-se como o padrão-ouro por sua capacidade de mapear o movimento do bolo esofágico e medir o pH simultaneamente. Na prática clínica, este exame permite diferenciar a DRGE verdadeira de outras condições como a hipersensibilidade esofágica ou pirose funcional, guiando a decisão terapêutica entre o manejo clínico conservador ou a reintervenção cirúrgica.
A gastrectomia vertical ou sleeve gástrico predispõe à Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) por diversos mecanismos fisiopatológicos. Primeiramente, ocorre a ressecção do fundo gástrico, o que altera o ângulo de His (mecanismo de válvula natural) e pode reduzir a pressão do esfíncter esofágico inferior. Além disso, a transformação do estômago em um tubo estreito e de alta pressão facilita a ascensão do conteúdo gástrico para o esôfago. Estudos mostram que até 30% dos pacientes podem desenvolver sintomas de refluxo de novo ou apresentar piora de sintomas pré-existentes após este procedimento.
A impedâncio-pHmetria esofágica é superior à pHmetria convencional porque consegue detectar não apenas o refluxo ácido (pH < 4), mas também o refluxo não-ácido ou fracamente ácido (líquido ou gasoso). Em pacientes pós-cirurgia bariátrica, o refluxo pode ter componentes biliares ou ser menos ácido devido a alterações na secreção gástrica, tornando a impedanciometria essencial para correlacionar os sintomas clínicos com os episódios de refluxo, independentemente do nível de acidez.
A conversão da gastrectomia vertical para o Bypass Gástrico em Y de Roux é indicada quando o paciente apresenta DRGE grave, refratária ao tratamento clínico otimizado (inibidores de bomba de prótons e medidas dietéticas), ou quando há complicações como esôfago de Barrett ou estenoses. O Bypass é considerado o procedimento de escolha para o controle do refluxo em obesos, pois cria um reservatório gástrico pequeno com baixa produção ácida e um desvio biliar que impede o refluxo alcalino para o esôfago.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo