Dor Epigástrica e Litíase Biliar Assintomática: Qual a Conduta?

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 58 anos, sem comorbidades, foi encaminhada para ambulatório médico especializado por apresentar, esporadicamente, há dois anos, após aposentadoria, quatro episódios de dor em queimação epigástrica e retroesternal desencadeada pela ingesta concomitante de macarronada vermelha e vinho durante as viagens de férias. Anteriormente havia sido avaliada na atenção básica em função dos sintomas e do ganho de peso, onde os exames laboratoriais solicitados estavam dentro da normalidade. A ultrassonografia de abdômen (vide figura) identificou litíase biliar. Qual o plano terapêutico mais apropriado neste momento?

Alternativas

  1. A) Inibidor da bomba de prótons, endoscopia, seguida de colecistectomia.
  2. B) Orientação comportamental e acompanhamento na atenção básica.
  3. C) Endoscopia, inibidor da bomba de prótons e fundoplicatura.
  4. D) Endoscopia, colecistectomia e fundoplicatura de oportunidade.

Pérola Clínica

Dor epigástrica/retroesternal esporádica + litíase biliar assintomática → Focar em DRGE/dispepsia funcional e mudanças de estilo de vida.

Resumo-Chave

A litíase biliar assintomática, mesmo que presente, não justifica intervenção cirúrgica imediata na ausência de sintomas biliares típicos. Os sintomas descritos são mais sugestivos de DRGE ou dispepsia funcional, que respondem bem a medidas comportamentais.

Contexto Educacional

A paciente apresenta sintomas de dor em queimação epigástrica e retroesternal, desencadeados por alimentos específicos e estresse (aposentadoria), além de ganho de peso. Esses sintomas são altamente sugestivos de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) ou dispepsia funcional, e não de cólica biliar típica, que seria uma dor mais intensa, constante por horas, no QSD ou epigástrio, com irradiação para o dorso. A presença de litíase biliar na ultrassonografia é um achado comum e, na maioria dos casos, assintomático. A colecistectomia é indicada para litíase biliar sintomática ou em casos de complicações. No cenário descrito, os sintomas não são compatíveis com cólica biliar ou colecistite. Portanto, o plano terapêutico mais apropriado é focar nas medidas comportamentais para DRGE/dispepsia, como modificações dietéticas (evitar alimentos gatilho como macarronada vermelha e vinho), perda de peso e acompanhamento na atenção básica. A endoscopia e a fundoplicatura seriam consideradas em casos de falha terapêutica ou sintomas de alarme, e a colecistectomia apenas se os sintomas fossem claramente biliares.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar a dor de litíase biliar da dor de refluxo gastroesofágico?

A dor de litíase biliar (cólica biliar) é tipicamente uma dor intensa no quadrante superior direito ou epigástrio, irradiando para o dorso, de início súbito e duração de 30 minutos a poucas horas, frequentemente pós-prandial. A dor de refluxo é em queimação, retroesternal, piora ao deitar e após refeições específicas.

Qual a conduta para litíase biliar assintomática?

A litíase biliar assintomática geralmente não requer tratamento cirúrgico. A conduta é expectante, com acompanhamento e orientação sobre sinais de alerta para complicações, a menos que haja fatores de risco específicos para malignidade ou complicações.

Quais são as orientações comportamentais para sintomas de refluxo gastroesofágico?

Incluem evitar alimentos gordurosos, condimentados, cafeína, álcool e chocolate; não deitar logo após as refeições; elevar a cabeceira da cama; perder peso; e parar de fumar.

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