Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Mulher, 37 anos, IMC = 45,9, com queixa de pirose retroesternal intensa. A endoscopia digestiva alta revelou esofagite erosiva distal grau C de Los Angeles; a pHmetria esofágica – DeMeester = 10; manometria esofágica normal. Qual é a orientação terapêutica mais apropriada para a resolução da queixa desta paciente?
DRGE grave + obesidade mórbida (IMC > 40) → perda de peso é a terapia mais eficaz.
Em pacientes com obesidade mórbida e DRGE grave, a perda de peso é a intervenção mais eficaz, pois reduz a pressão intra-abdominal e melhora a função da barreira antirrefluxo, sendo muitas vezes alcançada via cirurgia bariátrica.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição prevalente, e sua associação com a obesidade é bem estabelecida. Em pacientes com obesidade mórbida (IMC > 40 kg/m²), como no caso apresentado, a pressão intra-abdominal elevada contribui significativamente para a patogênese e a gravidade da DRGE, tornando o tratamento um desafio. A esofagite erosiva grau C de Los Angeles e o escore de DeMeester elevado na pHmetria confirmam a presença de refluxo patológico e lesão esofágica. Embora a manometria esofágica normal descarte distúrbios motores primários, a obesidade permanece como um fator agravante central. Nesse cenário, a perda de peso é a intervenção terapêutica mais apropriada e eficaz. A redução do peso corporal diminui a pressão intra-abdominal, melhora a função do esfíncter inferior esofágico e, consequentemente, alivia os sintomas e as lesões da DRGE. Em casos de obesidade mórbida, a cirurgia bariátrica é frequentemente a estratégia mais bem-sucedida para alcançar uma perda de peso significativa e duradoura, resultando em melhora ou resolução da DRGE em muitos pacientes. As fundoplicaturas isoladas em pacientes com IMC muito elevado têm taxas de falha maiores e não abordam a causa subjacente da pressão abdominal aumentada.
A obesidade, especialmente a abdominal, aumenta a pressão intra-abdominal, o que favorece a ocorrência de hérnia hiatal e o relaxamento transitório do esfíncter inferior esofágico, piorando a DRGE.
A perda de peso reduz a pressão intra-abdominal, diminui a frequência dos relaxamentos transitórios do EIE e melhora a função da barreira antirrefluxo, aliviando significativamente os sintomas da DRGE.
Em pacientes com obesidade mórbida e DRGE refratária ao tratamento clínico ou com complicações, a cirurgia bariátrica é frequentemente a opção mais eficaz, pois promove perda de peso substancial e duradoura, resolvendo ou melhorando a DRGE.
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