DRGE: Quando indicar Endoscopia Digestiva Alta?

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 52 anos, sem comorbidades conhecidas, procura atendimento médico relatando queimação retrosternal e sensação de regurgitação ácida que ocorrem cerca de quatro a cinco vezes por semana, há oito meses. Informa que os sintomas são mais intensos após refeições volumosas e ao se deitar à noite. Relata ter utilizado omeprazol 20mg por conta própria, uma vez ao dia antes do café da manhã, durante seis semanas, com melhora parcial dos sintomas (redução de cerca de 50% das queixas), porém sem resolução completa. Nega disfagia, odinofagia, perda de peso involuntária, anemia ou episódios de sangramento digestivo. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, corado, com índice de massa corporal (IMC) de 29 kg/m² e abdome sem massas ou visceromegalias. Com base no quadro clínico apresentado, qual a conduta mais adequada para este paciente?

Alternativas

  1. A) Solicitar endoscopia digestiva alta para investigação diagnóstica, considerando a resposta parcial ao IBP e a idade do paciente.
  2. B) Orientar otimização do IBP (dose dobrada, 30 minutos antes das duas principais refeições) por mais oito semanas antes de investigação complementar.
  3. C) Indicar pH-metria esofágica de 24 horas com impedanciometria para documentação objetiva do refluxo e correlação sintomática.
  4. D) Encaminhar para avaliação cirúrgica (fundoplicatura), visto que a falha ao tratamento clínico indica necessidade de intervenção definitiva.

Pérola Clínica

Idade > 45-50 anos ou resposta parcial ao IBP → Indicação mandatória de Endoscopia Digestiva Alta.

Resumo-Chave

Em pacientes com sintomas persistentes de DRGE apesar da terapia com IBP ou em faixas etárias de risco para neoplasia, a investigação estrutural com EDA é o próximo passo obrigatório.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica decorrente do fluxo retrógrado do conteúdo gastroduodenal para o esôfago. O diagnóstico inicial é eminentemente clínico em pacientes jovens e sem sinais de alarme. O tratamento padrão envolve mudanças no estilo de vida e o uso de Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) por 4 a 8 semanas. No entanto, a investigação estrutural com Endoscopia Digestiva Alta (EDA) torna-se necessária em cenários específicos: presença de sinais de alarme, idade superior a 45-50 anos, ou persistência de sintomas após tratamento clínico otimizado. A EDA permite identificar esofagite erosiva, estenoses, esôfago de Barrett e neoplasias, sendo fundamental para a estratificação de risco e definição de condutas de longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme na DRGE?

Os sinais de alarme que indicam investigação imediata por EDA incluem disfagia (dificuldade de engolir), odinofagia (dor ao engolir), perda de peso involuntária significativa, anemia ferropriva de origem indeterminada, hematêmese ou melena (sangramento digestivo) e massa abdominal palpável. A presença de qualquer um desses sinais sugere complicações graves ou neoplasia esofágica/gástrica.

Por que a idade influencia na indicação de EDA na DRGE?

A idade é um fator de risco independente para o desenvolvimento de complicações da DRGE, como o Esôfago de Barrett e o adenocarcinoma esofágico. No Brasil, as diretrizes sugerem que pacientes acima de 45 a 50 anos com sintomas de refluxo devem ser submetidos a pelo menos uma EDA diagnóstica, mesmo na ausência de outros sinais de alarme, devido ao aumento da incidência de câncer gástrico e esofágico nessa população.

Como manejar a falha parcial ao tratamento com IBP?

A falha parcial (melhora de apenas 50% dos sintomas) após 4 a 8 semanas de IBP em dose plena exige investigação. Antes de dobrar a dose ou trocar o medicamento, deve-se realizar uma EDA para avaliar a presença de esofagite erosiva, Barrett ou outras patologias. Se a EDA for normal, a pH-metria ou impedanciometria podem ser indicadas para confirmar se os sintomas são realmente relacionados ao ácido.

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