DRGE: Indicações Cirúrgicas e Manejo da Esofagite Grau C

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025

Enunciado

Homem de 34 anos, cantor, refere queixa de pirose e regurgitação de longa data com rouquidão frequente que atrapalha a sua atividade laborativa. Realizou endoscopia digestiva alta que demonstrou esofagite grau C de Los Angeles e presença de hérnia de hiato. Ao exame físico abdominal, sem dor à palpação ou visceromegalias. IMC = 23 kg/ma. Após uso de esomeprazol em dose otimizada, apresenta melhora dos sintomas, mas fica dependente da medicação para controle dos sintomas. Com relação ao caso, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico é provável, e o tratamento cirúrgico pode ser uma alternativa, após a realização de manometria esofágica.
  2. B) O diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico pode ser considerado, e existe indicação formal para tratamento endoscópico como ponte para tratamento cirúrgico.
  3. C) O diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico pode ser considerado, havendo indicação formal para reabilitação com exercícios de fonoaudiologia, perda de peso e dieta restritiva.
  4. D) O diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico é provável, e o paciente deverá ser encaminhado para tratamento fonoaudiológico e realização obrigatória da pHmetria esofágica para a confirmação do diagnóstico.

Pérola Clínica

Esofagite Los Angeles C/D ou dependência de IBP → Indicação cirúrgica (após manometria obrigatória).

Resumo-Chave

Pacientes com DRGE grave (Grau C de Los Angeles) e dependência de medicação têm indicação de tratamento cirúrgico, exigindo manometria prévia para excluir acalásia.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma patologia prevalente com espectro clínico variado. A classificação de Los Angeles é a ferramenta padrão para graduar a gravidade da esofagite erosiva, sendo os graus C e D indicadores de doença grave e maior risco de complicações. Pacientes jovens, como o cantor do caso, que apresentam dependência de IBP e sintomas que impactam a profissão, são candidatos ideais para a fundoplicatura laparoscópica. A abordagem cirúrgica visa restaurar a barreira antirrefluxo, geralmente através da criação de uma válvula gástrica (fundoplicatura de Nissen). O sucesso do procedimento depende de uma avaliação pré-operatória rigorosa, incluindo a manometria para garantir que o esôfago tenha força contrátil suficiente para vencer a nova resistência da válvula.

Perguntas Frequentes

Quais as indicações formais para cirurgia na DRGE?

As principais indicações incluem: falha no tratamento clínico (refratariedade), intolerância ao uso prolongado de IBP, desejo do paciente em não tomar medicação cronicamente, complicações como estenose ou esôfago de Barrett, e manifestações extraesofágicas graves (como rouquidão ou asma) com nexo causal comprovado.

Por que a manometria é obrigatória antes da fundoplicatura?

A manometria esofágica é essencial para avaliar a motilidade do corpo esofágico e o relaxamento do esfíncter inferior. Ela serve para excluir diagnósticos diferenciais, como a acalásia, e para ajudar na escolha da técnica cirúrgica (fundoplicatura total vs. parcial), prevenindo disfagia pós-operatória.

A pHmetria é necessária neste caso específico?

Neste caso, a endoscopia já demonstrou esofagite Grau C de Los Angeles, o que é considerado um critério diagnóstico definitivo para DRGE. Portanto, a pHmetria não é obrigatória para confirmar o diagnóstico, sendo reservada para casos de endoscopia normal ou sintomas atípicos.

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