CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024
Paciente do sexo feminino, 45 anos, obesa, vem ao consultório queixando história de pirose crônica que tratava no domicílio com chás caseiros. Evolui há cerca de 2 meses com aumento da frequência da pirose, associada a dor retroesternal, regurgitação e perda de peso. Traz consigo endoscopia digestiva que fez por conta própria, que evidenciou duas erosões de 75mm em esôfago distal, não coalescentes. Sobre o caso, assinale a alternativa CORRETA:
DRGE com sintomas típicos e esofagite erosiva na EDA → pHmetria não é necessária para diagnóstico.
Em pacientes com sintomas clássicos de DRGE (pirose, regurgitação) e evidência de esofagite erosiva na endoscopia digestiva alta, o diagnóstico de DRGE já está estabelecido. Nesses casos, a pHmetria esofágica não é um exame obrigatório para confirmação diagnóstica, sendo reservada para situações específicas como sintomas atípicos ou refratários ao tratamento.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum caracterizada pelo refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou complicações. Sua prevalência é alta, afetando significativamente a qualidade de vida dos pacientes e sendo um tema recorrente em provas de residência. O diagnóstico baseia-se na história clínica e, em alguns casos, em exames complementares. A fisiopatologia envolve a disfunção da barreira antirrefluxo, principalmente do esfíncter esofágico inferior. O diagnóstico é clínico para sintomas típicos. A endoscopia digestiva alta (EDA) é crucial para identificar esofagite, úlceras, estenoses ou esôfago de Barrett, sendo indicada em sinais de alarme ou falha terapêutica. A pHmetria esofágica é reservada para casos com sintomas atípicos, refratários ou sem lesões na EDA, para quantificar a exposição ácida e correlacionar com os sintomas. O tratamento da DRGE envolve modificações do estilo de vida e terapia medicamentosa, principalmente com inibidores da bomba de prótons (IBP). O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a não identificação e manejo de complicações como esôfago de Barrett podem levar a adenocarcinoma esofágico. É fundamental que o residente saiba diferenciar as indicações dos exames complementares e a abordagem terapêutica.
Os sintomas típicos da DRGE incluem pirose (azia), regurgitação ácida e dor retroesternal. Sintomas atípicos podem incluir tosse crônica, rouquidão e dor torácica não cardíaca.
A EDA é indicada em pacientes com sintomas de DRGE que apresentam sinais de alarme (disfagia, odinofagia, perda de peso, anemia, sangramento gastrointestinal) ou em casos de sintomas refratários ao tratamento empírico.
A pHmetria é indispensável em pacientes com sintomas atípicos de DRGE, em casos de sintomas típicos sem esofagite na EDA, ou para avaliar a eficácia do tratamento e planejar intervenções cirúrgicas.
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