DRGE: Diagnóstico e Indicação de pHmetria Esofágica

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 45 anos, obesa, vem ao consultório queixando história de pirose crônica que tratava no domicílio com chás caseiros. Evolui há cerca de 2 meses com aumento da frequência da pirose, associada a dor retroesternal, regurgitação e perda de peso. Traz consigo endoscopia digestiva que fez por conta própria, que evidenciou duas erosões de 75mm em esôfago distal, não coalescentes. Sobre o caso, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Os sintomas típicos descritos pela paciente, associados aos seus achados endoscópicos, excluem a necessidade de realização de Phmetria esofagiana para confirmação diagnóstica do caso.
  2. B) Já que os sintomas apresentados não são típicos e os achados endoscópicos são inespecíficos, o próximo passo para diagnóstico é o início de terapia com bloqueadores de bomba de prótons e realização de Phmetria sem fio por 96 horas.
  3. C) A ausência de hérnia hiatal na endoscopia digestiva exclui diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico.
  4. D) O diagnóstico de acalasia será confirmado caso a Phmetria sem fio observe tempo de exposição da mucosa esofágica ao ácido gástrico menor que 4% em todos os dias do exame.

Pérola Clínica

DRGE com sintomas típicos e esofagite erosiva na EDA → pHmetria não é necessária para diagnóstico.

Resumo-Chave

Em pacientes com sintomas clássicos de DRGE (pirose, regurgitação) e evidência de esofagite erosiva na endoscopia digestiva alta, o diagnóstico de DRGE já está estabelecido. Nesses casos, a pHmetria esofágica não é um exame obrigatório para confirmação diagnóstica, sendo reservada para situações específicas como sintomas atípicos ou refratários ao tratamento.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum caracterizada pelo refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou complicações. Sua prevalência é alta, afetando significativamente a qualidade de vida dos pacientes e sendo um tema recorrente em provas de residência. O diagnóstico baseia-se na história clínica e, em alguns casos, em exames complementares. A fisiopatologia envolve a disfunção da barreira antirrefluxo, principalmente do esfíncter esofágico inferior. O diagnóstico é clínico para sintomas típicos. A endoscopia digestiva alta (EDA) é crucial para identificar esofagite, úlceras, estenoses ou esôfago de Barrett, sendo indicada em sinais de alarme ou falha terapêutica. A pHmetria esofágica é reservada para casos com sintomas atípicos, refratários ou sem lesões na EDA, para quantificar a exposição ácida e correlacionar com os sintomas. O tratamento da DRGE envolve modificações do estilo de vida e terapia medicamentosa, principalmente com inibidores da bomba de prótons (IBP). O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a não identificação e manejo de complicações como esôfago de Barrett podem levar a adenocarcinoma esofágico. É fundamental que o residente saiba diferenciar as indicações dos exames complementares e a abordagem terapêutica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)?

Os sintomas típicos da DRGE incluem pirose (azia), regurgitação ácida e dor retroesternal. Sintomas atípicos podem incluir tosse crônica, rouquidão e dor torácica não cardíaca.

Quando a endoscopia digestiva alta (EDA) é indicada na suspeita de DRGE?

A EDA é indicada em pacientes com sintomas de DRGE que apresentam sinais de alarme (disfagia, odinofagia, perda de peso, anemia, sangramento gastrointestinal) ou em casos de sintomas refratários ao tratamento empírico.

Em que situações a pHmetria esofágica é indispensável para o diagnóstico de DRGE?

A pHmetria é indispensável em pacientes com sintomas atípicos de DRGE, em casos de sintomas típicos sem esofagite na EDA, ou para avaliar a eficácia do tratamento e planejar intervenções cirúrgicas.

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