UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021
Uma mulher jovem (32 anos) chega ao consultório médico com história de várias idas a pneumologistas e otorrinolaringologistas. Relata que há muitos meses, não sabendo precisar bem quantos, vem sentindo tosse, pigarro e disfagia. Já chegou a procurar o serviço de urgência duas vezes por dor torácica. Passou em consulta prévia com outro médico, de quem recebeu orientações sobre doença do refluxo gastroesofágico e sintomas atípicos e que solicitou endoscopia digestiva alta. O exame foi realizado há uma semana e o resultado veio normal. Com base nesses dados, a conduta mais adequada sobre o próximo passo a ser dado neste caso é solicitar
DRGE com sintomas atípicos e EDA normal → Manometria + pHmetria 24h para confirmar refluxo e descartar distúrbios motores.
Em pacientes com forte suspeita de DRGE e sintomas atípicos (respiratórios, otorrinolaringológicos, dor torácica) mas com endoscopia digestiva alta normal, a manometria esofágica e a pHmetria de 24 horas são essenciais. A manometria avalia a função motora do esôfago e do esfíncter esofágico inferior, enquanto a pHmetria quantifica a exposição do esôfago ao ácido, confirmando ou excluindo o refluxo patológico.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum caracterizada pelo refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou complicações. Além dos sintomas típicos como pirose e regurgitação, muitos pacientes apresentam manifestações atípicas, como tosse crônica, pigarro, disfagia e dor torácica, que podem dificultar o diagnóstico. Quando a endoscopia digestiva alta (EDA) é normal em pacientes com sintomas atípicos de DRGE, a investigação deve prosseguir com exames funcionais. A manometria esofágica é fundamental para avaliar a motilidade esofágica e a função do esfíncter esofágico inferior, descartando acalasia ou outros distúrbios motores. A pHmetria de 24 horas, por sua vez, é o exame padrão ouro para quantificar a exposição do esôfago ao ácido e correlacionar os episódios de refluxo com os sintomas. A combinação desses exames permite um diagnóstico preciso da DRGE, especialmente em casos complexos com sintomas atípicos e EDA sem alterações. A impedanciometria esofágica, que pode ser associada à pHmetria, é útil para detectar refluxos não ácidos e gasosos, ampliando a capacidade diagnóstica em pacientes refratários ao tratamento.
Os sintomas atípicos incluem tosse crônica, pigarro, rouquidão, asma, dor torácica não cardíaca, disfagia e erosões dentárias, que podem ser a única manifestação da doença.
A manometria esofágica avalia a função motora do esôfago e do esfíncter esofágico inferior, sendo crucial para descartar distúrbios motores primários e para o correto posicionamento da sonda de pHmetria.
A pHmetria de 24 horas é o padrão ouro para quantificar a exposição do esôfago ao ácido, correlacionando os episódios de refluxo com os sintomas do paciente, mesmo na presença de endoscopia normal.
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