USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Homem de 34 anos, cantor, refere queixa de pirose e regurgitação de longa data com rouquidão frequente que atrapalha a sua atividade laborativa. Realizou endoscopia digestiva alta que demonstrou esofagite grau C de Los Angeles e presença de hérnia de hiato. Ao exame físico abdominal, sem dor à palpação ou visceromegalias. IMC = 23 kg/m². Após uso de esomeprazol em dose otimizada, apresenta melhora dos sintomas, mas fica dependente da medicação para controle dos sintomas. Com relação ao caso, assinale a alternativa correta:
Esofagite Los Angeles C/D ou dependência de IBP → Indicação cirúrgica (após manometria).
Pacientes com DRGE complicada (esofagite grave), hérnia de hiato e dependência de IBP são candidatos ao tratamento cirúrgico, sendo a manometria essencial para excluir acalásia.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica decorrente do fluxo retrógrado de conteúdo gastroduodenal para o esôfago. A classificação de Los Angeles é amplamente utilizada para graduar a gravidade da esofagite endoscópica, sendo os graus C e D considerados formas graves e evidência definitiva de DRGE. Pacientes jovens que apresentam boa resposta ao IBP, mas tornam-se dependentes da medicação ou apresentam sintomas extraesofágicos (como rouquidão e tosse crônica), são candidatos ideais para a fundoplicatura laparoscópica. A técnica de Nissen (360°) é o padrão-ouro, desde que a motilidade esofágica esteja preservada. A avaliação pré-operatória deve ser criteriosa, incluindo endoscopia, manometria (para excluir diagnósticos diferenciais e avaliar a bomba esofágica) e, em casos de dúvida diagnóstica ou sintomas atípicos, a pHmetria de 24 horas.
As indicações incluem falha do tratamento clínico, intolerância ou dependência de IBP, complicações como esofagite grave (Los Angeles C ou D), estenoses, esôfago de Barrett e sintomas extraesofágicos comprovadamente relacionados ao refluxo que são refratários.
A manometria é obrigatória para descartar distúrbios motores do esôfago, como a acalásia, que podem mimetizar sintomas de refluxo, e para avaliar a contratilidade do corpo esofágico, o que pode influenciar a escolha da técnica (válvula total vs. parcial).
Não. Em pacientes com evidência objetiva inequívoca de DRGE, como esofagite graus C ou D de Los Angeles ou esôfago de Barrett longo na endoscopia, a pHmetria pode ser dispensada, pois o diagnóstico de refluxo patológico já está confirmado.
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