UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2015
Paciente de 35 anos, com queixas de pirose há três anos e surgimento de regurgitação há um ano, procurou pela primeira vez atendimento médico, tendo sido solicitado uma vídeo-endoscopia digestiva alta que demonstrou esofagite erosiva, havendo várias erosões confluentes e com exsudato fibrinoso e presença de uma úlcera no segmento distal do esôfago. Realizou também uma manometria esofágica que demonstrou peristaltismo de 55% e amplitude da onda peristáltica de 30 mmHg. A conduta adequada é:
DRGE grave com esofagite erosiva, úlcera e falha de peristaltismo pode indicar cirurgia (fundoplicatura total) mesmo sem pHmetria prévia.
Paciente com DRGE grave (esofagite erosiva com úlcera) e falha de peristaltismo na manometria, que não respondeu ao tratamento clínico inicial (implícito pela cronicidade e gravidade), tem indicação de tratamento cirúrgico. A fundoplicatura total (Nissen) é a técnica mais comum, e a hiatoplastia corrige a hérnia de hiato associada.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou lesões. Quando a DRGE é grave, manifestando-se com esofagite erosiva avançada e úlcera, e há falha do tratamento clínico inicial, a abordagem terapêutica pode precisar ser escalonada. O caso clínico descreve um paciente com DRGE de longa data, pirose e regurgitação, e achados endoscópicos de esofagite erosiva grave com úlcera. A manometria esofágica, que avalia a motilidade do esôfago, demonstrou peristaltismo de 55% e amplitude de 30 mmHg, indicando uma motilidade esofágica comprometida, mas não totalmente ineficaz. Nesses casos de DRGE grave e complicada, especialmente com falha do tratamento clínico, a cirurgia anti-refluxo torna-se uma opção viável. A fundoplicatura total videolaparoscópica (cirurgia de Nissen) é o procedimento cirúrgico padrão-ouro para a DRGE, restaurando a barreira anti-refluxo. A hiatoplastia é frequentemente realizada concomitantemente para corrigir hérnias de hiato. Embora a pHmetria de 24 horas seja útil para confirmar o refluxo, em casos de esofagite grave e úlcera já documentadas endoscopicamente, a indicação cirúrgica pode ser estabelecida sem a necessidade de pHmetria adicional, especialmente se houver falha do tratamento clínico. A presença de peristaltismo reduzido, mas não ausente, geralmente permite a fundoplicatura total, embora em casos de aperistalse, uma fundoplicatura parcial possa ser considerada para evitar disfagia.
A cirurgia é indicada para pacientes com DRGE refratária ao tratamento clínico, complicações como esofagite grave, úlcera, estenose, ou em casos de hérnia de hiato volumosa e falha do esfíncter esofágico inferior.
A fundoplicatura total (Nissen) envolve o envolvimento completo (360°) do esôfago distal pelo fundo gástrico, enquanto a parcial (Toupet, Dor) envolve um envolvimento menor (180-270°), sendo preferida em pacientes com dismotilidade esofágica significativa para evitar disfagia.
A manometria avalia a motilidade esofágica e a função do esfíncter esofágico inferior, sendo crucial para identificar distúrbios de motilidade que podem influenciar a escolha da técnica cirúrgica (total vs. parcial) e prever o risco de disfagia pós-operatória.
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