DRGE Pós-Gastrectomia Vertical: Diagnóstico e Conduta

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 44 anos, foi submetido a gastrectomia vertical por obesidade mórbida há 1 ano. Em consulta de retorno, refere importante dor retroesternal, especialmente a noite. A principal hipótese diagnóstica e a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Hérnia de Petersen / TC do tórax e abdome.
  2. B) Doença do refluxo gastroesofágico / EDA.
  3. C) Esofagite / seriografia esofágica.
  4. D) Hérnia interna / conversão cirúrgica para y-de-roux.

Pérola Clínica

Sleeve gastrectomy → ↑ Pressão intragástrica + ↓ Tônus do EEI → DRGE (Conduta inicial: EDA).

Resumo-Chave

A gastrectomia vertical (Sleeve) é intrinsecamente refluxogênica devido à remoção do fundo gástrico e aumento da pressão no reservatório tubular, exigindo investigação com EDA em casos sintomáticos.

Contexto Educacional

A gastrectomia vertical tornou-se a técnica bariátrica mais realizada no mundo, mas seu principal 'calcanhar de Aquiles' é a indução ou piora da DRGE. Diferente do Bypass, que é uma cirurgia antirrefluxo, o Sleeve altera a anatomia do cárdia. O manejo inicial sempre envolve a confirmação diagnóstica por EDA para graduar a lesão mucosa antes de propor revisões cirúrgicas.

Perguntas Frequentes

Por que o Sleeve predispõe ao refluxo?

A gastrectomia vertical predispõe à DRGE por múltiplos mecanismos: a ressecção do fundo gástrico (que reduz a complacência), a manipulação do ângulo de His, o aumento da pressão intragástrica no estômago tubular e a potencial desestabilização das fibras do esfíncter esofágico inferior (EEI). Além disso, pode haver migração cefálica do estômago remanescente, favorecendo a formação de hérnia de hiato iatrogênica.

Qual o papel da EDA no pós-operatório de bariátrica?

A EDA é o exame de escolha inicial para avaliar sintomas dispépticos ou de refluxo. Ela permite identificar esofagite erosiva, estenoses da linha de grampeamento, hérnias de hiato e, crucialmente, monitorar o esôfago de Barrett, que pode se desenvolver ou progredir devido ao refluxo crônico exacerbado pela técnica de Sleeve.

Quando considerar a conversão para Bypass em Y-de-Roux?

A conversão para Bypass Gástrico em Y-de-Roux é indicada quando o paciente apresenta DRGE refratária ao tratamento clínico (IBP), esofagite grave (Los Angeles C ou D) ou esôfago de Barrett. O Bypass é considerado o padrão-ouro para controle do refluxo em obesos, pois desvia o fluxo biliar e reduz drasticamente a pressão gástrica.

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