SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2020
José, 39 anos, trabalha como feirante e vem queixando-se de dor epigástrica em queimação com irradiação superior até a região da faringe. Relata que apresenta os sintomas há vários anos, intercalando períodos de aumento ou diminuição da queixa. Já fez uso de omeprazol, sendo o último ciclo realizado há cerca de 5 anos, em conjunto com terapia de erradicação de Helicobacter pylori. Refere que a dor abdominal melhora com alimentação. Nega despertar noturno, perda de peso ou disfagia. Sobre o quadro de José, é correto afirmar que:
Sinais de alarme em DRGE/dispepsia sem outros fatores de risco têm baixo VPP para malignidade.
Embora sinais de alarme como disfagia ou perda de peso sejam importantes, em pacientes jovens sem outros fatores de risco, sua presença isolada não indica alta probabilidade de malignidade. A endoscopia é reservada para casos com sinais de alarme persistentes ou em pacientes de maior risco.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) e a dispepsia são queixas gastrointestinais extremamente comuns, afetando uma parcela significativa da população. A DRGE é caracterizada por sintomas incômodos e/ou complicações decorrentes do refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago. A dispepsia, por sua vez, engloba dor ou desconforto na região epigástrica, plenitude pós-prandial e saciedade precoce. O diagnóstico é frequentemente clínico, baseado na história e nos sintomas do paciente. A presença de sinais de alarme, como disfagia, odinofagia, perda de peso inexplicada, anemia, sangramento gastrointestinal ou vômitos persistentes, levanta a suspeita de condições mais graves, incluindo malignidade. No entanto, em pacientes jovens sem outros fatores de risco (como histórico familiar de câncer gastrointestinal ou uso crônico de AINEs), o valor preditivo positivo desses sinais para malignidade é baixo. Isso significa que, mesmo na presença de um sinal de alarme, a probabilidade de encontrar câncer na endoscopia é pequena. A endoscopia digestiva alta é o exame padrão-ouro para avaliar a mucosa esofágica, gástrica e duodenal, sendo indicada para investigar sinais de alarme, avaliar complicações da DRGE (como esofagite erosiva, esôfago de Barrett ou estenoses) ou em casos de falha terapêutica. Para a pesquisa de Helicobacter pylori, testes não invasivos como o teste respiratório com ureia ou pesquisa de antígenos nas fezes são preferíveis para confirmar a erradicação, pois a sorologia detecta anticorpos IgG que podem permanecer positivos por anos após a infecção.
Os principais sinais de alarme incluem disfagia, odinofagia, perda de peso inexplicada, anemia por deficiência de ferro, sangramento gastrointestinal, vômitos persistentes e massa abdominal palpável.
A dor da úlcera duodenal classicamente melhora com a ingestão de alimentos, pois o alimento tampona o ácido gástrico, reduzindo a irritação da mucosa ulcerada. A dor tende a piorar algumas horas após a refeição, quando o estômago esvazia.
A endoscopia é o padrão-ouro para diagnosticar complicações da DRGE (esofagite, estenose, Barrett) e excluir outras patologias, mas não é necessária para o diagnóstico de DRGE não complicada. O diagnóstico é frequentemente clínico, e a endoscopia é indicada na presença de sinais de alarme ou falha terapêutica.
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