USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Você atua como médico(a) de família e comunidade em uma Unidade de Saúde da Família e atende um paciente do sexo masculino de 45 anos, que apresenta queixa de dor de garganta há 4 semanas. Relata que a dor é mais intensa do lado esquerdo da garganta e tem caráter intermitente, sendo mais pronunciada no período da noite e mais branda durante o dia. Relata também que, eventualmente, tem sofrido de rouquidão, no mesmo período. Nega outras queixas. Refere o consumo de 3 latas de cerveja por dia e tabagismo de ½ maço dia há 25 anos. No exame físico, você identifica um paciente em bom estado geral e obeso, com índice de massa corporal de 32 kg/m². No exame da cavidade oral, você observa discreta hiperemia na orofaringe, mais pronunciada à esquerda, sem outras alterações. Qual seria então a hipótese diagnóstica mais provável nesse caso?
Dor de garganta crônica + rouquidão + tabagismo/etilismo/obesidade → DRGE atípica (refluxo laringofaríngeo).
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) pode manifestar-se com sintomas atípicos como dor de garganta crônica e rouquidão, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo, etilismo e obesidade. A piora noturna e o caráter intermitente são sugestivos de refluxo laringofaríngeo.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum caracterizada pelo refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, podendo causar sintomas esofágicos e extraesofágicos. Sua prevalência é alta, afetando uma parcela significativa da população adulta, e é uma causa frequente de consultas médicas. A importância clínica reside no impacto na qualidade de vida e nas potenciais complicações, como esofagite, estenose e esôfago de Barrett. A fisiopatologia envolve a disfunção do esfíncter esofágico inferior, hérnia de hiato, retardo do esvaziamento gástrico e alterações na motilidade esofágica. O diagnóstico é frequentemente clínico, baseado na história e nos sintomas, mas pode ser complementado por endoscopia digestiva alta, pHmetria ou impedanciometria esofágica, especialmente em casos atípicos ou refratários. Deve-se suspeitar de DRGE em pacientes com sintomas crônicos como dor de garganta, rouquidão, tosse, pigarro, especialmente na presença de fatores de risco como obesidade, tabagismo e etilismo. O tratamento da DRGE envolve modificações no estilo de vida, como perda de peso, elevação da cabeceira da cama, evitar alimentos gatilho e cessar tabagismo/etilismo. A terapia farmacológica inclui antiácidos, antagonistas de receptores H2 e, principalmente, inibidores da bomba de prótons (IBP). O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a adesão às mudanças de estilo de vida é crucial para o controle a longo prazo e prevenção de recorrências e complicações.
Os sintomas atípicos da DRGE incluem dor de garganta crônica, rouquidão, tosse crônica, pigarro, sensação de bolo na garganta e asma de difícil controle, muitas vezes sem a pirose clássica.
Fatores como tabagismo, etilismo e obesidade aumentam significativamente o risco de DRGE e devem levantar a suspeita diagnóstica mesmo na ausência de sintomas típicos, direcionando a investigação.
O principal diferencial para dor de garganta crônica, além da DRGE, inclui infecções virais persistentes, alergias, irritantes ambientais, uso excessivo da voz e, em casos raros, neoplasias.
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