DRGE: Fundoplicatura e Motilidade Esofágica

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Assinale a assertiva incorreta sobre a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE).

Alternativas

  1. A) O tratamento inicial envolve mudanças no estilo de vida e terapia medicamentosa; a cirurgia está indicada apenas para casos refratários ao tratamento clínico ou para casos que apresentem complicações, como esofagite erosiva ou estenose, ou para situações de grandes hérnias hiatais associadas.
  2. B) A fundoplicatura pode ser realizada por via laparoscópica, proporcionando benefícios como menos dor pós-operatória e tempo de recuperação mais rápido em comparação com a abordagem aberta.
  3. C) A decisão de realizar cirurgia deve estar baseada em uma avaliação cuidadosa do paciente, incluindo gravidade dos sintomas, resposta ao tratamento clínico e presença de complicações, como esofagite de Barrett, que pode exigir vigilância endoscópica adicional.
  4. D) A realização de fundoplicatura não tem impacto na melhora da motilidade esofágica e, portanto, não deve ser considerada para pacientes com motilidade esofágica ineficaz, pois pode aumentar o risco de disfagia pós-operatória.

Pérola Clínica

Fundoplicatura não melhora motilidade esofágica e pode piorar disfagia em motilidade ineficaz.

Resumo-Chave

A fundoplicatura é um procedimento cirúrgico que visa restaurar a barreira antirrefluxo, mas não tem impacto direto na motilidade esofágica. Em pacientes com motilidade esofágica ineficaz pré-existente, a fundoplicatura pode exacerbar a disfagia pós-operatória, tornando a seleção cuidadosa dos pacientes, com base em exames como a manometria esofágica, crucial antes da cirurgia.

Contexto Educacional

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica caracterizada pelo fluxo retrógrado do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas incômodos e/ou complicações. O tratamento inicial envolve modificações no estilo de vida e terapia medicamentosa, principalmente com inibidores da bomba de prótons (IBP). Para pacientes com DRGE refratária ao tratamento clínico, com complicações significativas (esofagite erosiva grave, estenose, esôfago de Barrett) ou grandes hérnias hiatais, a cirurgia de fundoplicatura pode ser uma opção. Este procedimento visa reforçar a barreira antirrefluxo na junção gastroesofágica, geralmente envolvendo o envolvimento do fundo gástrico ao redor da porção distal do esôfago. A abordagem laparoscópica é a preferida devido aos seus benefícios em termos de recuperação e dor pós-operatória. É fundamental compreender que a fundoplicatura corrige o refluxo, mas não melhora a motilidade esofágica. Pacientes com distúrbios de motilidade esofágica pré-existentes, como a motilidade ineficaz (detectada pela manometria esofágica), correm maior risco de desenvolver ou exacerbar a disfagia (dificuldade para engolir) após a cirurgia. Portanto, a avaliação pré-operatória cuidadosa, incluindo a manometria, é essencial para a seleção adequada dos pacientes e para a escolha da técnica cirúrgica mais apropriada, a fim de otimizar os resultados e minimizar as complicações.

Perguntas Frequentes

Quando a cirurgia de fundoplicatura é indicada para DRGE?

A cirurgia é indicada para casos refratários ao tratamento clínico, pacientes com complicações como esofagite erosiva grave, estenose, ou grandes hérnias hiatais, e para aqueles que desejam evitar a terapia medicamentosa de longo prazo.

Qual o papel da manometria esofágica antes da fundoplicatura?

A manometria esofágica é crucial para avaliar a motilidade esofágica antes da cirurgia, identificando distúrbios como a motilidade ineficaz, que podem aumentar o risco de disfagia pós-operatória e influenciar a técnica cirúrgica escolhida.

Quais são os principais benefícios da fundoplicatura laparoscópica?

A fundoplicatura laparoscópica oferece benefícios como menor dor pós-operatória, menor tempo de internação, recuperação mais rápida e melhores resultados estéticos em comparação com a abordagem cirúrgica aberta.

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