Padrão Restritivo na Espirometria: Diagnóstico e Mecanismos

MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 52 anos, sem histórico de tabagismo, apresenta-se ao ambulatório com queixa de dispneia progressiva aos esforços e tosse seca persistente há 8 meses. Ao exame físico, apresenta estertores crepitantes finos ('tipo velcro') em bases pulmonares e saturação de O2 de 91% em ar ambiente. A espirometria revela uma redução proporcional tanto do Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1) quanto da Capacidade Vital Forçada (CVF), resultando em uma relação VEF1/CVF de 0,85 (valor de referência > 0,75). Considerando o padrão funcional descrito, qual é o mecanismo fisiopatológico subjacente a esses achados?

Alternativas

  1. A) Aumento da complacência pulmonar devido à destruição dos septos alveolares.
  2. B) Redução do recolhimento elástico pulmonar, favorecendo o colapso precoce das vias aéreas.
  3. C) Aumento do recolhimento elástico pulmonar, exigindo maiores pressões para a expansão alveolar.
  4. D) Aumento da resistência das vias aéreas intratorácicas durante a expiração forçada.

Pérola Clínica

Se o VEF1/CVF está normal ou alto, mas a CVF está baixa, pense em RESTRIÇÃO. O pulmão 'tem pressa' em esvaziar porque é rígido, mas não consegue encher o suficiente.

Contexto Educacional

As doenças pulmonares intersticiais (DPI), como a fibrose pulmonar idiopática, caracterizam-se por um processo inflamatório ou fibrótico que altera a arquitetura alveolar. Epidemiologicamente, afetam adultos de meia-idade e idosos, manifestando-se com dispneia de esforço insidiosa. O reconhecimento precoce é vital para o manejo terapêutico adequado e prevenção de progressão rápida. Fisiopatologicamente, o aumento do colágeno no interstício eleva o recolhimento elástico (stiffness), o que reduz a complacência pulmonar. Na espirometria, isso se traduz em uma redução harmônica de volumes (VEF1 e CVF), mantendo a relação VEF1/CVF preservada. A curva fluxo-volume costuma ser estreita e alta, refletindo o esvaziamento rápido devido à alta retração elástica. O diagnóstico baseia-se na correlação clínico-tomográfica, sendo a Tomografia de Alta Resolução (TCAR) o padrão-ouro para identificar o padrão de Pneumonia Intersticial Comum (UIP). O tratamento foca em retardar a progressão com antifibróticos e suporte de oxigênio, visando melhorar a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Por que a relação VEF1/CVF fica normal na restrição?

Porque o pulmão rígido exerce uma forte tração para fora nas vias aéreas, mantendo-as bem abertas. Assim, o pouco ar que entra consegue sair muito rapidamente.

O que são estertores tipo velcro?

São sons descontínuos e finos na ausculta, típicos da abertura súbita de alvéolos que estavam colapsados por fibrose intersticial.

Como diferenciar restrição pulmonar de restrição extrapulmonar?

A restrição pulmonar (fibrose) geralmente altera a troca gasosa (DLCO baixa), enquanto a extrapulmonar (ex: obesidade, cifoescoliose) pode ter trocas gasosas normais inicialmente.

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