SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025
Um fumante de longa data é encaminhado a você por um colega que já solicitou Testes de Função Pulmonar (TFPs). Após analisar o resultado, assinale a alternativa que contém o diagnóstico:\n\n| Parâmetro | Predito | Aferido | % Predito |\n| ------------ | ------- | ------- | --------- |\n| CVF (L) | 6,0 | 3,8 | 63* |\n| VEF1 (L) | 5,0 | 2,2 | 44* |\n| VEF1/CVF (%) | 83 | 58* | 67* |\n| CV | 6,0 | 4,0 | 67* |\n| CPT | 7,5 | 8,8 | 117* |\n| VR | 1,8 | 2,2 | 122* |\n| CRF | 3,5 | 3,9 | 111 |\n\n* indica valor fora do IC 95%.\n\nSiglas:\nCVF – Capacidade Vital Forçada;\nVEF1 – Volume Expiratório Forçado no Primeiro Segundo;\nCV – Capacidade Vital;\nCPT – Capacidade Pulmonar Total;\nVR – Volume Residual;\nCRF – Capacidade Residual Funcional.
VEF1/CVF < 0,7 + CPT ↑ = Distúrbio Ventilatório Obstrutivo com Hiperinsuflação.
A redução da relação VEF1/CVF confirma a obstrução ao fluxo aéreo, enquanto o aumento da CPT e do VR indica hiperinsuflação e aprisionamento aéreo, típicos de fumantes com DPOC.
A análise da função pulmonar em pacientes tabagistas é essencial para o diagnóstico de DPOC. O parâmetro inicial é a relação VEF1/CVF; se reduzida, confirma-se a obstrução. A gravidade da obstrução é dada pelo percentual do VEF1 em relação ao predito. No caso apresentado, o VEF1 de 44% indica uma obstrução grave.\n\nA pletismografia ou métodos de diluição de gases permitem medir volumes que a espirometria simples não alcança, como o Volume Residual (VR) e a Capacidade Pulmonar Total (CPT). Na DPOC, o enfisema destrói os septos alveolares, aumentando a complacência pulmonar e reduzindo a força de recolhimento elástico, o que leva ao aumento da CPT. O VR elevado corrobora o aprisionamento aéreo. Esses dados são cruciais para diferenciar a 'falsa restrição' (CVF baixa com CPT alta) da restrição verdadeira (CVF baixa com CPT baixa).
O critério fundamental para definir um distúrbio ventilatório obstrutivo é a redução da relação VEF1/CVF (Volume Expiratório Forçado no 1º segundo sobre a Capacidade Vital Forçada) abaixo do limite inferior da normalidade (geralmente < 0,7 ou 70%). Isso indica que o paciente leva mais tempo para esvaziar os pulmões devido ao aumento da resistência das vias aéreas ou perda da retração elástica, como ocorre na asma e na DPOC.
O aumento da Capacidade Pulmonar Total (CPT > 120% do predito) define a hiperinsuflação pulmonar. O aumento do Volume Residual (VR > 120% do predito) define o aprisionamento aéreo. Em fumantes, esses achados refletem a perda de elasticidade alveolar (enfisema) e o fechamento precoce das pequenas vias aéreas durante a expiração, fazendo com que o ar fique 'preso' nos pulmões ao final de uma expiração forçada.
A CVF pode estar reduzida em doenças obstrutivas graves não por uma redução do tamanho do pulmão (como na restrição), mas porque o ar fica aprisionado (aumento do VR). Como a CPT = CV + VR, se o VR aumenta muito, a Capacidade Vital (CV) acaba diminuindo. Por isso, o diagnóstico de restrição pulmonar só pode ser confirmado pela medida da CPT (que estaria reduzida na restrição e está aumentada na obstrução com hiperinsuflação).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo