AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Homem de 72 anos, tabagista há 45 anos de cerca de 1 maço/dia, interna com relato de escarro esverdeado há cerca de 2 dias, piora de tosse que já apresenta cronicamente e cansaço para ir até a padaria, a duas quadras de distância. À avaliação no pronto-socorro, PA: 140x80 mmHg, FC: 94 bpm, FR: 22mrpm, T: 36,7º, SaO₂: 87%. MV difusamente diminuído sem ruídos adventícios. Gasometria arterial revela: pH: 7,37 HCO3: 32mEq/L PCO₂: 59 mmHg, PO₂: 49mmHg. Com relação ao manejo do quadro, assinale a alternativa verdadeira:
DPOC exacerbado + Acidose (pH < 7,35) ou Hipercapnia → VNI reduz intubação e mortalidade.
Na exacerbação do DPOC com insuficiência respiratória hipercápnica, a VNI é o suporte ventilatório de escolha para evitar a fadiga diafragmática e a intubação.
A exacerbação da DPOC é uma causa frequente de internação e morbimortalidade. O quadro clínico é definido por uma piora aguda dos sintomas respiratórios que resulta em terapia adicional. A gasometria arterial é fundamental para identificar a insuficiência respiratória hipercápnica (pH baixo e PCO2 elevado), como visto no caso (pH 7,37, PCO2 59, PO2 49). A Ventilação Não Invasiva (VNI) com pressão positiva (BIPAP) atua reduzindo o trabalho respiratório, melhorando as trocas gasosas e prevenindo a falência muscular. Estudos demonstram que a VNI reduz a taxa de intubação em aproximadamente 60% e a mortalidade hospitalar em pacientes com acidose respiratória moderada a grave.
As principais indicações são a presença de acidose respiratória (pH ≤ 7,35 e/ou PaCO2 > 45 mmHg) e dispneia grave com sinais de fadiga muscular (uso de musculatura acessória ou movimento paradoxal abdominal), apesar do tratamento médico inicial.
Pacientes com DPOC grave podem ser retentores crônicos de CO2 e depender do drive hipóxico para respirar. O excesso de oxigênio (hiperóxia) pode reduzir a ventilação minuto, aumentar o espaço morto funcional (efeito Haldane) e levar a uma narcose por CO2. O alvo de saturação deve ser entre 88-92%.
Os antibióticos estão indicados quando há aumento de pelo menos dois dos três sintomas cardinais: dispneia, volume do escarro e purulência do escarro (sendo a purulência mandatória), ou em pacientes que necessitam de ventilação mecânica (invasiva ou não).
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