DPOC Grave: Terapia Tripla e Manejo de Exacerbações

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019

Enunciado

Homem, 60 anos, com quadro de tosse produtiva há 15 anos e, nos últimos 7 anos, evoluiu com dispneia progressiva que se tornou aos pequenos esforços. Ex-tabagista de 12 maços-ano. No último ano, procurou o pronto-socorro 3 vezes com piora da tosse e da dispneia. Ao exame, apresentava BEG, corado, acianótico, ausência de edema de MMII, murmúrio vesicular diminuído difuso e roncos. Ausculta cardíaca normal. RX de tórax com rebaixamente de cúpulas diafragmáticas e aumento do diâmetro Antero-posterior no perfil. Espirometria: VEF₁/CVF = 0,45 e pós broncodilatador = 0,50 CVF 3,77L (94% e após uso do broncodilatador = 3,82L (96%) VEF₁= 1,40L (43%) e pós broncodilatador = 1,48L (45%) Assinale qual é o melhor tratamento medicamentoso 

Alternativas

  1. A) Broncodilatador de curta duração + corticoide inalatório.
  2. B) Broncodilatador de curta duração + beta 2 agonista de longa duração. 
  3. C) Broncodilatador de curta duração + corticoide inalatório + anticolinérgico de longa duração. 
  4. D) Broncodilatador de curta duração + beta 2 agonista de longa duração + corticoide inalatório + anticolinérgico de longa duração.
  5. E) Broncodilatador de curta duração + beta 2 agonista de longa duração + corticoide inalatório + anticolinérgico de longa duração.+ corticoide sistêmico. 

Pérola Clínica

DPOC grave (VEF1 < 50%) com exacerbações frequentes → LAMA + LABA + CI é a terapia ideal.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro clínico e espirométrico compatível com DPOC grave (VEF1 pós-broncodilatador de 45%, VEF1/CVF < 0,70) e histórico de exacerbações frequentes (3 no último ano). De acordo com as diretrizes GOLD, pacientes com DPOC grave e alto risco de exacerbações se beneficiam da terapia tripla com broncodilatador de longa duração (LABA), anticolinérgico de longa duração (LAMA) e corticoide inalatório (CI).

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição progressiva e debilitante, frequentemente associada ao tabagismo. O diagnóstico é confirmado pela espirometria, que demonstra obstrução persistente ao fluxo aéreo. A classificação da DPOC, segundo as diretrizes GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease), considera o grau de obstrução (VEF1) e o risco de exacerbações, guiando a escolha terapêutica. O paciente do caso clínico apresenta um quadro clássico de DPOC grave (VEF1 pós-broncodilatador de 45%) e um histórico de exacerbações frequentes (3 no último ano), o que o classifica como um paciente de alto risco (grupo D ou E, dependendo da versão GOLD). Para esses pacientes, a terapia medicamentosa deve ser otimizada para reduzir sintomas e prevenir futuras exacerbações. As diretrizes atuais recomendam a terapia tripla com um broncodilatador beta-2 agonista de longa duração (LABA), um anticolinérgico de longa duração (LAMA) e um corticoide inalatório (CI) para pacientes com DPOC grave e histórico de exacerbações, especialmente se houver um componente inflamatório eosinofílico. Essa combinação demonstrou ser superior em reduzir exacerbações e melhorar a função pulmonar e a qualidade de vida. Broncodilatadores de curta duração são sempre mantidos para resgate.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios espirométricos para o diagnóstico de DPOC?

O diagnóstico de DPOC é confirmado pela presença de obstrução persistente ao fluxo aéreo, caracterizada por uma relação VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,70.

Quando a terapia tripla (LABA+LAMA+CI) é indicada na DPOC?

A terapia tripla é indicada para pacientes com DPOC grave (VEF1 < 50% do previsto) e/ou com histórico de exacerbações frequentes, especialmente se houver eosinofilia sanguínea ou sintomas persistentes apesar da terapia dupla.

Qual o papel dos broncodilatadores de curta duração no tratamento da DPOC?

Os broncodilatadores de curta duração (SABA/SAMA) são utilizados como medicação de resgate para alívio rápido dos sintomas de dispneia, mas não são a base do tratamento de manutenção da DPOC.

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