HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021
Homem de 66 anos de idade apresenta quadro de tosse, expectoração clara e dispneia aos moderados esforços há 4 anos. Nega febre ou dor torácica. Tem histórico de tabagismo desde os 16 anos de idade, mas parou há 5 anos. Espirometria pós-broncodilatador*: VEF1 /CVF < 70% e VEF1 : 57%. Exame físico: PA: 145 x 90 mmHg, FC: 92 bpm e SatO2: 94%; ausculta pulmonar: sem sibilos. Exames séricos e eletrocardiograma: normais. *CVF: capacidade vital forçada; VEF1 : volume expiratório forçado no 1o segundo. Nesse momento, é correto prescrever:
DPOC estável com VEF1 < 80% → broncodilatador de longa ação (LABA ou LAMA) como tratamento inicial.
O paciente apresenta critérios espirométricos e clínicos para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) moderada a grave (VEF1 57%). Para o manejo da DPOC estável, a pedra angular do tratamento é a broncodilatação com agentes de longa duração, como o formoterol (um LABA), para aliviar sintomas e melhorar a função pulmonar. Outras opções não são indicadas para o quadro estável.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição comum, progressiva e prevenível, caracterizada por limitação persistente do fluxo aéreo, geralmente causada pela exposição significativa a partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo o principal fator de risco. Afeta milhões de pessoas globalmente e é uma das principais causas de morbidade e mortalidade, sendo crucial para residentes reconhecer e manejar adequadamente. O diagnóstico precoce e o tratamento eficaz podem retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A espirometria é o padrão-ouro para o diagnóstico e estadiamento da DPOC. A fisiopatologia da DPOC envolve inflamação crônica das vias aéreas e parênquima pulmonar, levando à destruição alveolar (enfisema) e remodelamento das pequenas vias aéreas (bronquiolite obstrutiva). Os sintomas clássicos incluem tosse crônica, expectoração e dispneia progressiva. A suspeita deve surgir em pacientes com histórico de tabagismo ou exposição a fatores de risco e sintomas respiratórios persistentes. O exame físico pode revelar achados como tórax em barril, uso de musculatura acessória e, em casos avançados, cianose. O tratamento da DPOC visa aliviar os sintomas, reduzir a frequência e gravidade das exacerbações e melhorar a tolerância ao exercício. A cessação do tabagismo é a intervenção mais importante. A terapia farmacológica para DPOC estável baseia-se principalmente em broncodilatadores de longa ação (LABA e/ou LAMA), que relaxam a musculatura lisa das vias aéreas e melhoram o fluxo de ar. Corticoides inalatórios são adicionados em casos selecionados, como pacientes com exacerbações frequentes. A reabilitação pulmonar e a vacinação (influenza e pneumocócica) também são componentes essenciais do manejo.
O diagnóstico de DPOC é confirmado por espirometria pós-broncodilatador, que revela uma relação VEF1/CVF (ou VEF1/VEF6) menor que 0,70. A gravidade é classificada pelo VEF1 percentual do previsto.
A conduta inicial para DPOC estável com VEF1 reduzido e sintomas é a prescrição de um broncodilatador de longa ação (LABA, como formoterol, ou LAMA). A escolha depende da intensidade dos sintomas e histórico de exacerbações.
Corticoides inalatórios (CI) são geralmente indicados em pacientes com DPOC moderada a grave que apresentam exacerbações frequentes, especialmente se houver contagem de eosinófilos elevada, e são usados em combinação com LABA/LAMA, não como monoterapia inicial.
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