MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 67 anos, tabagista (carga tabágica de 60 maços-ano) e portador de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) em estágio avançado, é admitido na emergência com quadro de dispneia progressiva, aumento do volume e da purulência do escarro há 48 horas. Ao exame físico, apresenta-se sonolento, porém responsivo ao chamado, utilizando musculatura acessória da respiração. Sinais vitais: Pressão Arterial 145/95 mmHg, Frequência Cardíaca 108 bpm, Frequência Respiratória 30 irpm e Saturação de O2 de 86% em ar ambiente. Após a administração de oxigênio suplementar por cateter nasal a 2 L/min, broncodilatadores de curta ação e corticoide sistêmico, foi colhida uma gasometria arterial que revelou: pH 7,27; pCO2 62 mmHg; pO2 64 mmHg; HCO3 29 mEq/L; Saturação de O2 91%. Diante do quadro clínico e laboratorial descrito, qual é a conduta imediata mais adequada para este paciente?
DPOC exacerbado + Acidose respiratória (pH < 7,35) + Hipercapnia → VNI é a conduta de escolha.
A Ventilação Não Invasiva (VNI) é o padrão-ouro para pacientes com DPOC exacerbado e acidose respiratória moderada, reduzindo mortalidade e necessidade de IOT.
A exacerbação da DPOC é uma das causas mais comuns de admissão em unidades de emergência. O manejo inicial envolve broncodilatadores, corticoides sistêmicos e oxigenoterapia controlada (alvo de saturação entre 88-92% para evitar a perda do drive hipóxico). No entanto, quando o paciente evolui com acidose respiratória, a ventilação mecânica torna-se necessária. A VNI com pressão de suporte (BiPAP) atua diminuindo o trabalho da musculatura inspiratória e melhorando a ventilação alveolar, o que facilita a lavagem do excesso de CO2. Evidências robustas demonstram que a VNI reduz a taxa de intubação em cerca de 60% e a mortalidade hospitalar em pacientes com DPOC e acidose moderada. O sucesso da terapia depende do acoplamento adequado da interface e do monitoramento rigoroso nas primeiras horas.
As principais indicações de Ventilação Não Invasiva (VNI) na exacerbação aguda da DPOC incluem: acidose respiratória (pH ≤ 7,35 e/ou pCO2 > 45 mmHg), dispneia grave com sinais de fadiga muscular (uso de musculatura acessória, respiração paradoxal) ou hipoxemia persistente apesar da oxigenoterapia. A VNI é particularmente eficaz em reverter a acidose e reduzir o trabalho respiratório, sendo o tratamento de primeira linha antes de considerar a ventilação invasiva.
A VNI é contraindicada em casos de parada respiratória ou cardíaca, instabilidade hemodinâmica grave (choque, arritmias ventriculares), rebaixamento severo do nível de consciência (exceto se for acidose hipercápnica pura e o paciente for responsivo), alto risco de aspiração, secreções excessivas que o paciente não consegue expectorar ou trauma/cirurgia facial que impeça o acoplamento da máscara. Nesses casos, a Intubação Orotraqueal (IOT) é mandatória.
A gasometria arterial é fundamental para avaliar o equilíbrio ácido-básico e a gravidade da insuficiência respiratória. No DPOC, buscamos identificar a presença de acidose respiratória aguda (queda do pH com aumento do pCO2), o que indica falha na ventilação alveolar. O bicarbonato elevado (como o 29 mEq/L do caso) sugere que o paciente já possui uma retenção crônica de CO2, mas o pH de 7,27 confirma uma descompensação aguda sobreposta que exige intervenção imediata com VNI.
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