DPOC por Biomassa: Diagnóstico e Tratamento com Tiotrópio

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 63 anos, com quadro de tosse e expetoração há quatro anos e dispneia progressiva aos esforços (atualmente ao caminhar menos de um quarteirão). No último ano teve três episódios de piora da tosse, com expectoração amarelada e dispneia aos esforços mínimos, sendo tratada com inalações, antibióticos e corticoide oral. É moradora de região rural, tem fogão à lenha na sua cozinha e nunca fumou. Nega asma na infância e alergias respiratórias. Ao exame físico encontra-se em bom estado geral, corada, hidratada, acianótica, com aumento do diâmetro anteroposterior do tórax e ausculta pulmonar com diminuição do murmúrio vesicular difusamente e com roncos esparsos que se mobilizam com a tosse. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável e tratamento indicado, segundo a classificação dessa paciente?

Alternativas

  1. A) Doença pulmonar obstrutiva crônica; tiotrópio.
  2. B) Doença pulmonar obstrutiva crônica; azitromicina em dias alternados e teofilina.
  3. C) Asma; formoterol com budesonida.
  4. D) Asma; tiotrópio.

Pérola Clínica

DPOC por biomassa: tosse crônica, dispneia progressiva, exacerbações. Tiotrópio é broncodilatador de escolha.

Resumo-Chave

A DPOC é uma doença progressiva caracterizada por limitação do fluxo aéreo, frequentemente subdiagnosticada em não-fumantes expostos à biomassa. O tiotrópio, um anticolinérgico de longa ação (LAMA), é um broncodilatador eficaz para o manejo dos sintomas e redução de exacerbações.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória progressiva e irreversível, caracterizada pela limitação do fluxo aéreo. Embora o tabagismo seja o principal fator de risco, a exposição à biomassa, como a fumaça de fogão à lenha, é uma causa significativa de DPOC, especialmente em regiões rurais e países em desenvolvimento. A prevalência da DPOC por biomassa é alta no Brasil, sendo crucial o reconhecimento em pacientes não-tabagistas. A fisiopatologia da DPOC envolve inflamação crônica das vias aéreas e parênquima pulmonar, levando a bronquite crônica e/ou enfisema. O diagnóstico é clínico, baseado em sintomas como tosse crônica, expectoração e dispneia progressiva, e confirmado por espirometria que demonstra obstrução do fluxo aéreo não totalmente reversível. A suspeita deve ser alta em idosos com história de exposição e sintomas persistentes. O tratamento da DPOC visa aliviar sintomas, melhorar a qualidade de vida e reduzir exacerbações. Broncodilatadores de longa ação, como o tiotrópio (um anticolinérgico de longa ação - LAMA), são a base do tratamento farmacológico. Eles relaxam a musculatura lisa das vias aéreas, melhorando o fluxo de ar. A escolha do tratamento é individualizada, considerando a gravidade dos sintomas e o histórico de exacerbações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para DPOC além do tabagismo?

Além do tabagismo, a exposição à biomassa (como fogão à lenha), poluição do ar e exposição ocupacional a poeiras e produtos químicos são importantes fatores de risco para DPOC.

Qual a importância do tiotrópio no tratamento da DPOC?

O tiotrópio é um broncodilatador anticolinérgico de longa ação (LAMA) que melhora a função pulmonar, reduz a dispneia e diminui a frequência de exacerbações na DPOC, sendo uma medicação de primeira linha.

Como diferenciar DPOC de asma em pacientes com sintomas respiratórios crônicos?

A DPOC geralmente tem início mais tardio, progressão gradual, e está associada a fatores de risco como tabagismo ou exposição à biomassa. A asma frequentemente começa na infância, tem variabilidade de sintomas e resposta a broncodilatadores.

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